Não se espere encontrar santidade entre os políticos, mas, entre os vícios ou defeitos inúmeros que a prática da política torna inevitáveis ou até mesmo imprescindíveis, existe, ou existiria, uma fronteira cuja transgressão caracterizaria a pura canalhice ou a deformação completa do caráter. A opinião pública de tanto assistir, como diria Rui, prosperar a malandragem, até parecia tolerante ou inteiramente omissa em relação a esse vácuo da dignidade que ia ocupando todos os espaços da vida pública. As ruas começaram a dar sinais de que surgia uma indignação coletiva contra a indignidade, a forma omissa, ou incompetente de conduzir a política, mas, logo o lado canalha da própria politica foi aparecendo, sorrateiramente deturpando as manifestações populares, contaminando-as com a politiquice ou a simples marginalidade. Mas não se imagine, enganosamente, que a população tornou-se complacente em relação a determinadas atitudes que, na vida das pessoas comuns são identificadas como inaceitáveis, a menos que desapareça inteiramente o sentimento de honra, ou de respeito à sociedade.
O deputado Mendonça Prado tem sido nos últimos meses uma voz incisiva e com características bem nítidas de seriedade, até porque, deixa em segundo plano os seus próprios interesses políticos. Essa insistência do deputado em denunciar um grupo ao qual ele não cansa de classificar como ¨uma quadrilha¨ deve resultar, sem dúvidas, do conhecimento que ele tem de determinados procedimentos e hábitos perniciosos que, se tolerados, poderiam levar a vida pública sergipana a um estado de putrefação moral. Assim, ele se sentiria moralmente obrigado a tentar evitar que esse grupo assalte o poder, entendendo, ainda, que alianças com ele poderiam levar os aliados a serem vistos como cúmplices.
Sergipe precisa ouvir com mais atenção o que diz, corajosamente e cívico, o deputado Mendonça Prado, até mesmo porque sobre ele não pairam suspeitas de ter cometido indignidades. Entre outras coisas ele afirma que o senador Amorim tem a obrigação moral de esclarecer ao povo sergipano se está sendo ou não processado pelo Supremo Tribunal Federal, e se estiver, num processo que correria em segredo de Justiça, nele não se ocultar, esclarecendo quais os motivos do processo. Sem que adote esse procedimento entende o deputado Mendonça que o senador Amorim perde as condições imprescindíveis para que um cidadão possa pleitear o direito de disputar o voto popular principalmente para o cargo de governador do estado, enquanto alguém que fizer um concurso para ser admitido como servidor público terá de exibir certidão de que não tem, na Justiça correndo processos por improbidade ou outros crimes.

