Sindicatos protestam contra mudança na folha de servidor

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Na próxima terça-feira, 03, servidores que atuam na rede estadual de saúde vão paralisar as atividades por 24 horas em protesto ao atraso e parcelamento da folha de pagamento do salário do mês de outubro anunciado pelo governo.
Na manhã de ontem, uma comissão formada por lideranças de oito sindicatos se reuniram na sede do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese) e decidiram realizar a mobilização unificada que deve envolver cerca de 300 trabalhadores.

No dia da paralisação, haverá uma assembleia com a comissão dos sindicatos da Saúde, às 7 horas, na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), para definir os rumos da paralisação até o dia do pagamento final de todos os servidores do Estado, previsto para 11 de novembro.

O presidente do Sintasa, Augusto Couto, disse que os trabalhadores estão revoltados e indignados com a falta de respeito do governo com as categorias. "Foram surpreendidos com uma nota falando do atraso salarial. Esta situação é muito preocupante, considerando que se trata de uma medida drástica e sem diálogo. Em resposta a esta situação, os sindicatos dos enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, médicos, odontólogos, saúde, psicologia e assistência social estão unidos em protesto a esta postura do governo do estado", comentou.

Augusto Couto ressaltou que no decorrer da mobilização outras categorias também serão chamadas para agregar o movimento que tem como objetivo pressionar o governo do Estado a rever esta situação.
"Caso o governo não encontre uma solução para o efetivo pagamento da folha salarial de todos os servidores, há uma possibilidade de deflagramos uma greve unificada. Muitos trabalhadores temem não receber os próximos salários dentro do cronograma. Outra questão é o receio de que o 13º seja comprometido, já que o governo alega que não tem dinheiro", enfatiza.
O sindicalista disse que o governo poderia ter feito um empréstimo ao Banese e se responsabilizado com o pagamento dos juros, e não o contrário, ressaltando que agora são os trabalhadores que terão que pagar juros ou das contas em atraso ou de algum empréstimo para quitar as dívidas.

A reunião contou com a participação de representantes da Seese, Sintasa e Sindimed, Sindicato dos Cirurgiões Dentistas de Sergipe (Sinodonto), Sindicato dos Psicólogos de Sergipe (Sinpsi), Sindicato dos Trabalhadores Fisioterapeutas de Aracaju (Sintrafa), Sindicato dos Assistentes Sociais de Sergipe (Sindasse) e do Sindicato de Nutricionistas e Técnicos em Nutrição do Estado de Sergipe (Sindinutrise).
O anúncio do governo também gerou reação da direção executiva do Sindicato dos Trabalhadores nos Serviços Públicos do Estado de Sergipe (Sintrase), que divulgou uma nota pública repudiando o atraso e parcelamento no pagamento da folha de servidores.

O Sintrasa definiu a situação como "inaceitável", ressaltando que não houve um prévio conhecimento dos servidores sobre a decisão. "O atraso dos pagamentos provoca transtornos desnecessários e vexatórios. Muitos servidores foram às instituições bancárias a fim de fazer uso dos seus rendimentos. Das consequências, os trabalhadores ficarão impedidos de honrar com seus compromissos financeiros. Repudiamos ainda a Administração Estadual que anunciou realizar os pagamentos de forma parcelada, para aqueles que têm rendimentos superiores a R$ 1.500,00", protestou o sindicato em nota.
A direção do Sintrase destacou ainda que o "fatiamento salarial" destoa do bom andamento democrático e fere violentamente a credibilidade existente entre os servidores e o governo. "Enfatizamos que a folha deve ser paga em sua integralidade dentro de cada mês", reforçou.

Através da nota, a direção do Sintrase cobrou que o governador Jackson Barreto cumpra com o prometido durante o pleito eleitoral e reforme imediatamente a administração pública, cortando cargos em comissão e reduzindo o número de secretarias. "O governo terá de garantir reduções dos índices correlacionados a LRF e o consequente pagamento integral dos valores garantidos a todos os servidores com a implementação do PCCV/AG e que por força da LRF ainda não são pagos", disse a nota.

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