Milton Alves Júnior
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Funcionários da empre-sa Torre reiniciam na manhã de hoje o trabalho de recolhimento de lixo nas ruas de Aracaju. Após uma reunião no final da tarde de ontem, a decisão foi anunciada oficialmente pela empresa que desde a última terça-feira, 11, impedia que os próprios servidores realizassem o serviço por conta de uma quebra de acordo firmado no mês passado entre o setor empresarial e a Prefeitura de Aracaju. Conforme contabilidade da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), mais de mil toneladas de lixo permanecem espalhadas pelas ruas e avenidas da capital sergipana em decorrência da paralisação que durou dois dias. A dívida da PMA está avaliada em aproximadamente 20 milhões de reais.
Essa foi a quarta vez que os garis e margaridas suspenderam as funções na capital sergipana somente este ano. No último dia 24 de junho, durante ato público articulado pelo Sindicato dos Empregados da Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindelimp), o prefeito João Alves Filho, por meio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), garantiu que parte da dívida seria quitada em até dois dias úteis, a fim de evitar qualquer tipo de impasse financeiro que viesse a resultar em problemas para os funcionários. Como a promessa do chefe do executivo municipal não foi cumprida, os caminhões catadores não foram liberados para promover a coleta juntamente com os profissionais. Por mais de 48 horas, Aracaju, que já foi apontada como a capital da qualidade de vida, virou um grande lixão a céu aberto.
Como se não bastasse a imundice gerada com o acúmulo de sacolas de lixo nas portas de casas, condomínios e pontos comerciais, a chuva forte que predomina na capital sergipana desde a última terça-feira, 11, tem contribuído para que o problema higiênico se agrave nos mais variados pontos da cidade. Em parte da zona Norte, com a elevação da água em algumas vias públicas, dezenas de sacolas de lixo boiavam e causavam medo para aqueles populares que se mostram preocupados com a saúde dos habitantes.
Visivelmente insatisfeita com a situação, a costureira Raquel Melo dos Santos, mãe de três filhos, disse não suportar o problema que, mesmo o serviço sendo reiniciado hoje, na opinião dela, deve permanecer por pelo menos mais uma semana. "Pra sair de casa é um sacrifício porque a rua fica cheia de poças e nós temos que botar as crianças no colo pra que elas não tenham contato com essa água podre que se mistura com o lixo. Como não têm coleta, os gatos à noite rasgam as sacolas e deixam tudo sujo e boiando quase que pra dentro das nossas casas", disse.
Sobre o porquê da permanência dos problemas, ela explicou ao Jornal do Dia. "Essa não é a primeira vez que os garis param. Quando isso acontece demora muito para que todo o lixo da cidade seja recolhido. Aqui no Santos Dumont a demora parece ser pior do que todos os outros bairros. Quero ver qual vai ser a desculpa do prefeito ano que vem quando vim aqui pedir voto pra continuar no bem bom dele", lamentou.
Este ano a primeira suspensão temporária das atividades ocorreu no dia 7 de janeiro e contou com um ato de protesto na avenida Heráclito Rollemberg, no bairro São Conrado. Na ocasião, a categoria pedia reajuste do salário mínimo vigente para R$ 879 e vale-alimentação de R$ 18 por dia trabalhado. Já no dia 15 de junho, os trabalhadores cessaram o serviço em virtude de uma dívida da prefeitura orçada em quase R$ 20 milhões, na qual interferia diretamente no salário destes profissionais. Depois de horas de diálogo a greve foi suspensa, mas voltou a ser registrada na segunda quinzena do mês passado após a categoria ter se deparado com a não quitação de débitos que deveriam ser pagos pela Prefeitura de Aracaju.
Na tentativa de minimizar os problemas urbanos, equipes que compõem o programa Cata Bagulho trabalharam em horário integral em alguns bairros de Aracaju. Apesar dos esforços feitos pelo grupo de profissionais, as ações emergenciais não conseguem reparar nem 5% do agravante aglomerado de lixo. A perspectiva é que este sistema permaneça com a escala dobrada com o objetivo de agilizar a coleta geral de lixo acumulado durante a ação operacional da Torre.


