A valorização do programa Bolsa Família é uma rara manifestação de sensibilidade social do governo Jair Bolsonaro. Em dezembro, o presidente assinou Medida Provisória concedendo o pagamento de um 13° salário. Agora, pretende aumentar o valor do benefício, bem como estimular o empenho escolar e a formação profissional dos beneficiados. Finalmente, entre tantos despautérios, o populismo descarado do presidente redunda em um gesto aceitável.
Os programas de transferência de renda começaram a ser adotados no Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Ampliado desde o primeiro mandato de Lula, sempre mereceu a alcunha de "bolsa esmola" pelos adversários do Partido dos Trabalhadores. Além do seu evidente apelo eleitoral, contudo, há razão de sobra para o governo federal insistir na distribuição do auxílio. Antes de tudo, a economia agradece.
Em primeiro lugar, ao contrário do que afirmam os desinformados, o investimento jamais manteve milionários. O cálculo é mais ou menos complexo. A além do piso, a renda final do programa depende de outros critérios, como número de filhos na família. Grosso modo, o benefício é destinado a famílias com renda per capita de até R$ 178 mensais.
Infelizmente, os brasileiros em situação miserável ainda são muitos. Em setembro passado, 13,5 milhões de famílias foram atendidas a um custo de R$ 2,5 bilhões. O benefício médio registrado pelo governo foi de R$ 189,21.
Em um País incapaz de oferecer uma oportunidade a 12,5 milhões de desempregados, a fome é um dado da realidade. O pagamento do Bolsa Família tem sim, portanto, uma face assistencialista. No entanto, as consequências virtuosas na economia, derivadas do consumo entre os mais pobres, não são menos importantes.


