Os números não dizem tudo

 

Os números relacionados à evolução exponenci-
al do funcionalismo público no Brasil, ao longo 
de três décadas, podem ser encarados de algumas maneiras: para os defensores do estado mínimo, por exemplo, certamente prova o inchaço da máquina pública, sem margem para dúvidas. Para isto ser verdade, no entanto, as estatísticas precisariam estar acompanhadas da necessária comparação com a abrangência dos serviços prestados pelo governo federal, estados e municípios, no mesmo período. Os números podem ser eloquentes, mas raramente dizem tudo.
Vamos a eles: O estudo Três Décadas de Evolução do Funcionalismo Público no Brasil (1986-2017), divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que, em 2017, foram gastos R$ 750,9 bilhões com os servidores públicos ativos, o que corresponde a 10,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos no país) brasileiro.
Segundo a pesquisa, em 32 anos, o funcionalismo público ampliou-se em 123% e o número total de vínculos subiu de 5,1 milhões para 11,4 milhões. De acordo com o Ipea, o mercado de trabalho formal no setor privado teve crescimento de 95% no total de vínculos, no mesmo período.
A pesquisa não considera, entretanto, o crescimento da população atendida pelos servidores públicos nas últimas décadas, nem a ampliação da rede de proteção social sob a responsabilidade da administração pública, desde o já muito distante ano da graça de 1986. De lá para cá, muita coisa mudou no mundo e no Brasil, incluindo a adoção de uma noção mais abrangente de responsabilidade social.
Casos de ingerência sobre recursos ou mesmo de ineficiência da máquina pública não são raros. Mas sem a necessária contextualização, os números levantados pelo Ipea podem servir de argumento para o desmonte de políticas públicas, um desserviço.

Os números relacionados à evolução exponenci- al do funcionalismo público no Brasil, ao longo  de três décadas, podem ser encarados de algumas maneiras: para os defensores do estado mínimo, por exemplo, certamente prova o inchaço da máquina pública, sem margem para dúvidas. Para isto ser verdade, no entanto, as estatísticas precisariam estar acompanhadas da necessária comparação com a abrangência dos serviços prestados pelo governo federal, estados e municípios, no mesmo período. Os números podem ser eloquentes, mas raramente dizem tudo.
Vamos a eles: O estudo Três Décadas de Evolução do Funcionalismo Público no Brasil (1986-2017), divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que, em 2017, foram gastos R$ 750,9 bilhões com os servidores públicos ativos, o que corresponde a 10,5% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos no país) brasileiro.
Segundo a pesquisa, em 32 anos, o funcionalismo público ampliou-se em 123% e o número total de vínculos subiu de 5,1 milhões para 11,4 milhões. De acordo com o Ipea, o mercado de trabalho formal no setor privado teve crescimento de 95% no total de vínculos, no mesmo período.
A pesquisa não considera, entretanto, o crescimento da população atendida pelos servidores públicos nas últimas décadas, nem a ampliação da rede de proteção social sob a responsabilidade da administração pública, desde o já muito distante ano da graça de 1986. De lá para cá, muita coisa mudou no mundo e no Brasil, incluindo a adoção de uma noção mais abrangente de responsabilidade social.
Casos de ingerência sobre recursos ou mesmo de ineficiência da máquina pública não são raros. Mas sem a necessária contextualização, os números levantados pelo Ipea podem servir de argumento para o desmonte de políticas públicas, um desserviço.

 

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