A maior tragédia ambiental na história da cos- ta brasileira não comoveu o presidente Jair Bol- sonaro. A conclusão é da Câmara dos Deputados. Segundo o relatório de uma Comissão Externa presidida pelo sergipano João Daniel, o governo federal foi omisso, deu o crime por fato consumado, lavou as mãos.
Fala-se do óleo derramado em alto mar, ninguém sabe por quem, e que veio a poluir a costa nordestina. A sucessão de equívocos, denunciada ainda no calor do momento pela imprensa nacional e a população das praias diretamente afetadas, está agora documentada pelo poder legislativo da República. E serve de alerta: o País está completamente despreparado para lidar com tragédias e crimes de tal grandeza.
Procedimentos padronizados para reagir a tais episódios, os há. Infelizmente, sem razão aparente, o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC) foi simplesmente ignorado. Falta comando. Quem sobrevive da pesca passou meses sem qualquer espécie de orientação e assistência. Providências até foram tomadas, muito tímidas, mas sem qualquer articulação, quando já era muito tarde.
O pior é que, para todos os efeitos, o governo federal pretende esquecer o episódio, dar o assunto por encerrado. Até o momento, nenhum estudo a respeito das consequências do desastre foi divulgado. Também não se sabe de resolução no sentido de responder a eventuais episódios futuros. Aparentemente, o presidente não está disposto a aprender com os próprios erros, muito menos com as falhas mais graves.


