* Antonio Passos
Em meados dos anos 1970 iniciaram minhas idas ao Batistão. Naquele tempo Sergipe, Confiança e Itabaiana disputavam pra valer os títulos estaduais. Havia clubes intermediários, a exemplo do Vasco e do Cotinguiba, e os mais fracos – o Olímpico era um destes. O Olímpico Futebol Clube fora bicampeão em 1946/47, porém, na década de 70 apresentava sinais de decadência. Devido ao soçobro nos gramados o Olímpico passou a ser alvo de muitas anedotas. Uma delas dizia que a equipe não tinha elenco montado. No dia de cada jogo o dono do clube saia com uma camionete pelos bairros de Aracaju catando quem quisesse jogar e assim era escalado o escrete rubro-negro – pura chacota adversária, penso.
Guardadas as devidas proporções o que são alguns dos times hoje – inclusive o glorioso Club Sportivo Sergipe – senão "Olímpicos" atualizados? Os dois primeiros resultados do "mais querido" no campeonato em andamento denunciam. Fui aos campos nas duas partidas, a primeira contra o Confiança no Batistão e a segunda contra o Boca Júnior no João Hora. Cabe aqui um parêntese: (embora o gramado parecesse razoável, porém quase apagada a sinalização horizontal, a condição de acomodação e visualização do jogo para a torcida é degradante no "mundão do Siqueira Campos").
Aliás, foi sentado no cimento da tórrida e ensangada arquibancada do João Hora onde ouvi um torcedor, que aparentava capacidade de avaliação e não apenas o impulso da adesão emocional ao Gipão, comentar desolado: "o time deste ano é pior que o do ano passado". Como esperar mais de plantéis arranjados na última hora? Claro! Não se trata agora do chiste descrevendo a camionete do dono do Olímpico, caçando atletas no laço. Mas, a velha troça seria substancialmente diferente das marés empresariais que inundam nossos clubes de "preciosas novidades" a cada temporada? Já que o time jogará apenas o campeonato sergipano, por que não passar o resto do ano treinando e investindo em atletas jovens locais para aproveitá-los como base do elenco profissional no ano seguinte? Bom, paro por aqui… Isso é conversa para dirigente e não para torcedor.
Enfim, dirão alguns, não vamos nos desesperar. Após uma derrota e um empate nas duas primeiras partidas de um campeonato curto, cuja primeira e eliminatória fase terá apenas sete rodadas, tudo pode virar de pernas pro ar ou de cabeça pra baixo e o Sergipe, quem sabe, vir a ser o campeão sergipano de futebol masculino em 2020 – na categoria principal. Afinal, como dizem os comentaristas esportivos desde o tempo do legendário Wellington Elias: "o futebol é uma caixinha de surpresas".
* Antonio Passos é jornalista


