Em diversos aspectos, o governo Jair Bolsonaro já deu errado. A promessa de privilegiar a com petência ao nomear auxiliares, por exemplo, nunca passou de palavras ao vento. O troca troca no comando do Ministério da Educação serve de argumento contrário aos critérios adotados para dar posse a assessores e ministros. A trapalhada no resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), também.
De acordo com o governo federal há problema na apuração dos resultados das provas. Pelo menos 6 mil candidatos foram prejudicados. Ontem, em poucas horas, 75 mil pedidos de revisão foram formalizados.
Um dos alvos preferidos de Bolsonaro, o Enem promoveu uma verdadeira revolução no acesso ao ensino de terceiro grau. O exame, acusado de servir como um instrumento de doutrinação ideológica ao fabricar "militantes", é reconhecido por todos os especialistas como um verdadeiro marco. Com a sua aplicação, a decoreba do exame vestibular deu lugar ao pensamento crítico e o raciocínio lógico.
Felizmente, apesar do governo de turno, o sucesso do Enem é um fato consumado. Em novembro passado, 4 milhões de pessoas fizeram o exame. Em dois dias de prova, os candidatos precisam demonstrar conhecimento em diversas matérias, incluindo redação, ciências humanas, ciências da natureza e matemática.
A escola no Brasil é um faz de conta. Os números provam e as razões para o óbice no ensino são muitas. Vão desde a jornada de trabalho imposta aos profissionais de educação, que via de regra acumulam mais de um emprego para garantir os vencimentos necessários à própria sobrevivência, à ausência de estrutura adequada na rede de ensino pública. Certo é que sem providências, as escolas brasileiras vêm formando gerações inteiras de analfabetos funcionais. E sabotar o Enem só agravaria um quadro já dramático.


