APELO AO ALÉM

 

* Manoel Moacir Costa Macêdo
No ano que se inicia, não sei mais a quem recorrer. Fiz orações, cultos, juras, penitências, promessas e pedidos. Escrevi a Papai Noel, não respondeu. Não foi uma surpresa, ele nunca visitou Rio Real, nem atendeu os pedidos de crianças pobres. Apresentei propostas, com teorias, hipóteses e métodos, não recebi retornos, nem dos intelectuais. Escrevi artigos em jornais, falei em rádios, ministrei palestras, não obtive respostas, nem de letrados, nem de populares. Conversei em cafés, almoços, e jantares, com influentes e formadores de opinião, nada aconteceu. Participei de assembleias, conferências, e seminários em organizações governamentais, não-governamentais e do terceiro setor, nenhuma decisão em ata foi acolhida. Nada posso fazer, exceto apelar aos daqui e do além – possuo apenas a vulnerável mão-de-obra.
Nesse "País tropical e bonito por natureza", domina o imobilismo tupiniquim. Uma letargia consentida. As ações transformadoras são abortadas. Destacam-se as corporativas que não alteram o status quo vigente. Está fora da agenda inclusiva, a desigualdade e a mobilidade social. Os apelos, nunca chegam aos programas de rádio e televisão nas manhãs do verão nordestino, não tocam os corações e mentes dos governantes, e nem as pautas das tribunas populares. Nada acontece. Nenhuma mobilização, nem mesmo as manifestações patrocinadas pelas estruturas contestatórias e profissionais de ofício. Vence o sistema de controle, interesse, e submissão numa parceria infeliz entre desigualdade e obscurantismo.
Cheguei a propor, o carnaval, como o modo de bem-viver, visto as iniciativas da cidade maravilhosa, da primeira capital brasileira, e do galo da madrugada. Não tive respostas. Talvez, estava fora do eixo, tal qual as persistente carências medievais, distantes do iluminismo, como o analfabetismo, o corporativismo seletivo e os privilégios estatais. Algumas como a corrupção, vêm de longe: "no século II a.C., o império romano não conseguia processar as acusações de [corruptos]". 
O que fazer? Abandonar tudo, e debruçar na "janela e esperar a banda passar". Abortar a indignação, fechar os olhos, cruzar os braços, e deixar a história caminhar na sua temporal sabedoria. Explodir de indignação, a exemplo dos vizinhos latinos e do oriente distante. A revolução encolheu como estratégia de mudança social, mas, as manifestações e surgimento de novas lideranças estão hibernadas. Um último apelo comportado, dessa vez, não será aos viventes terrenos, mas "aos do além", do universo sideral. Neles, deposito o último testemunho de confiança e credibilidade. Eles são invisíveis, desconhecidos, sem nomes, sobrenomes, e sem medo da transformação em sua radicalidade – "doa a quem doer". Não temem os tribunais que julgam, as baionetas que matam, nem aos que é "dando que se recebe".  A contabilidade é invisível e imaterial – noutro plano existencial. As recompensas, na dimensão da pós-materialidade. A dúvida, é a quem dirigir o apelo. Em face da urgência, será enviado um WhathsApp, ao agregador divino da liberdade, da igualdade e da fraternidade: o Grande Arquiteto do Universo – GADU. 
"
Venerabilíssimo GADU, "em pé e a ordem", e após reiterados pedidos às autoridades terrenas, encaminho pela última vez esse apelo. No País onde "Deus é brasileiro", não haverá futuro com a vergonhosa desigualdade, educação sofrível, doenças de pobres, desemprego, violência, desonra, corrupção, meio ambiente em chamas e uma elite sem um projeto de nação. Fome, miséria, sofreres, e agonia persistem entre os desiguais, apesar de guiados pelo "livro da lei". Tempo de desorientação e descuido com as pessoas. Suplico avaliar com Alá, Buda, Cristo, Jeová, Krishna, Maomé, Caboclos, Índios, e Pretos Velhos, o que fazer com esse País. A esperança por aqui morreu. A coesão social está deteriorada. A paciência em chamas. O levante das massas é provável. A ruptura uma possibilidade. Aguardo o retorno urgente, com conselhos, projetos, métodos, recursos, equipes e resultados esperados. Um tríplice e fraternal abraço – TFA".
* Manoel Moacir Costa Macêdo,  Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

* Manoel Moacir Costa Macêdo

No ano que se inicia, não sei mais a quem recorrer. Fiz orações, cultos, juras, penitências, promessas e pedidos. Escrevi a Papai Noel, não respondeu. Não foi uma surpresa, ele nunca visitou Rio Real, nem atendeu os pedidos de crianças pobres. Apresentei propostas, com teorias, hipóteses e métodos, não recebi retornos, nem dos intelectuais. Escrevi artigos em jornais, falei em rádios, ministrei palestras, não obtive respostas, nem de letrados, nem de populares. Conversei em cafés, almoços, e jantares, com influentes e formadores de opinião, nada aconteceu. Participei de assembleias, conferências, e seminários em organizações governamentais, não-governamentais e do terceiro setor, nenhuma decisão em ata foi acolhida. Nada posso fazer, exceto apelar aos daqui e do além – possuo apenas a vulnerável mão-de-obra.
Nesse "País tropical e bonito por natureza", domina o imobilismo tupiniquim. Uma letargia consentida. As ações transformadoras são abortadas. Destacam-se as corporativas que não alteram o status quo vigente. Está fora da agenda inclusiva, a desigualdade e a mobilidade social. Os apelos, nunca chegam aos programas de rádio e televisão nas manhãs do verão nordestino, não tocam os corações e mentes dos governantes, e nem as pautas das tribunas populares. Nada acontece. Nenhuma mobilização, nem mesmo as manifestações patrocinadas pelas estruturas contestatórias e profissionais de ofício. Vence o sistema de controle, interesse, e submissão numa parceria infeliz entre desigualdade e obscurantismo.
Cheguei a propor, o carnaval, como o modo de bem-viver, visto as iniciativas da cidade maravilhosa, da primeira capital brasileira, e do galo da madrugada. Não tive respostas. Talvez, estava fora do eixo, tal qual as persistente carências medievais, distantes do iluminismo, como o analfabetismo, o corporativismo seletivo e os privilégios estatais. Algumas como a corrupção, vêm de longe: "no século II a.C., o império romano não conseguia processar as acusações de [corruptos]". 
O que fazer? Abandonar tudo, e debruçar na "janela e esperar a banda passar". Abortar a indignação, fechar os olhos, cruzar os braços, e deixar a história caminhar na sua temporal sabedoria. Explodir de indignação, a exemplo dos vizinhos latinos e do oriente distante. A revolução encolheu como estratégia de mudança social, mas, as manifestações e surgimento de novas lideranças estão hibernadas. Um último apelo comportado, dessa vez, não será aos viventes terrenos, mas "aos do além", do universo sideral. Neles, deposito o último testemunho de confiança e credibilidade. Eles são invisíveis, desconhecidos, sem nomes, sobrenomes, e sem medo da transformação em sua radicalidade – "doa a quem doer". Não temem os tribunais que julgam, as baionetas que matam, nem aos que é "dando que se recebe".  A contabilidade é invisível e imaterial – noutro plano existencial. As recompensas, na dimensão da pós-materialidade. A dúvida, é a quem dirigir o apelo. Em face da urgência, será enviado um WhathsApp, ao agregador divino da liberdade, da igualdade e da fraternidade: o Grande Arquiteto do Universo – GADU. "Venerabilíssimo GADU, "em pé e a ordem", e após reiterados pedidos às autoridades terrenas, encaminho pela última vez esse apelo. No País onde "Deus é brasileiro", não haverá futuro com a vergonhosa desigualdade, educação sofrível, doenças de pobres, desemprego, violência, desonra, corrupção, meio ambiente em chamas e uma elite sem um projeto de nação. Fome, miséria, sofreres, e agonia persistem entre os desiguais, apesar de guiados pelo "livro da lei". Tempo de desorientação e descuido com as pessoas. Suplico avaliar com Alá, Buda, Cristo, Jeová, Krishna, Maomé, Caboclos, Índios, e Pretos Velhos, o que fazer com esse País. A esperança por aqui morreu. A coesão social está deteriorada. A paciência em chamas. O levante das massas é provável. A ruptura uma possibilidade. Aguardo o retorno urgente, com conselhos, projetos, métodos, recursos, equipes e resultados esperados. Um tríplice e fraternal abraço – TFA".

* Manoel Moacir Costa Macêdo,  Engenheiro Agrônomo, Advogado, PhD pela University of Sussex, Brighton, Inglaterra

 

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