O governo Bolsonaro pode ter ferido o Exame Naci onal do Ensino Médio de morte. É escandaloso. Pela primeira vez desde a sua criação, o resultado do Enem suscita dúvidas e ações na Justiça.
Ontem, depois de muitas idas e vindas, o ministro João Otávio Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça, acatou recurso da Advocacia Geral da União e derrubou uma decisão liminar que impedia a divulgação dos resultados do Sistema de Seleção Unificada. Nem por isso, a seleção ancorada na pontuação do Enem está a salvo de desconfiança.
As dúvidas são de todas as ordens. O Ministério da Educação não consegue dar conta nem mesmo das questões burocráticas. O MEC ainda não informou quando os resultados do Sisu serão disponibilizados, nem se o cronograma previsto anteriormente para o programa sofrerá modificações. Também não há datas para a abertura do Prouni.
Segundo o ministério, a confusão aconteceu devido a um problema na gráfica responsável pela impressão do Enem. Gabaritos de uma cor teriam sido lidos como se fossem de outra. O MEC informou que o erro havia atingido 5.974 candidatos e disse que todos os problemas haviam sido corrigidos -cerca de 4 milhões de candidatos fizeram as provas.
As explicações não satisfazem, têm o efeito deletério das palavras lançadas ao vento. Sem apontar culpados, sem assumir a responsabilidade por transformar o MEC em trincheira ideológica, à revelia de qualquer política em favor do segmento, o governo Bolsonaro sabota o Enem, a mais importante iniciativa relacionada à democratização do ensino de nível técnico e superior dos últimos 20 anos.


