Os bandidos, por definição, são pessoas aves- sas à ordem. Indispostos aos meios usuais de satisfação da própria ambição e vontade, lançam mão de subterfúgios criminosos, apelam para a força bruta, o último recurso dos marginais. Nada os impede, contudo, de observar alguns limites de humanidade, mesmo no afã de obter as vantagens que buscam. Assim se procede até mesmo na guerra.
Em Sergipe, no entanto, não há território, nem instituição a salvo da bandidagem. Escolas são assaltadas e depredadas. Igrejas já foram profanadas pela intenção sem freio da gatunagem. Ontem, um hospital da rede particular localizado no bairro São José foi palco de um arrastão. A despeito do reconhecido esforço realizado pela polícia, os delinquentes agem como bem entendem, livres para aterrorizar a população.
O tom aqui empregado talvez soe alarmista. O leitor considere, entretanto, o susto dos enfermos e seus acompanhantes aos serem abordados em lugar tão inesperado por assaltantes de arma em punho. Ninguém em sã consciência os culparia por não botar os pés fora de casa nunca mais.
De acordo com a Polícia Militar, dois homens chegaram em uma motocicleta e anunciaram o assalto. Um deles ficou na porta da unidade, enquanto o outro entrou com uma arma de fogo e tomou pertences de funcionários e pacientes que estavam no local. Cerca de dez celulares foram levados. Ninguém foi ferido, felizmente.
Assim estamos. Os índices de crimes violentos cometidos no estado caíram drasticamente. Mas a sensação de insegurança persiste, proporcional à ousadia dos marginais.


