A situação é séria. Felizmente, as autoridades locais não dormem no ponto, não dispensam tempo e recursos relativizando o alcance e o risco da pandemia, como ocorre no Palácio do Planalto. As medidas tomadas pela Prefeitura de Aracaju e Governo de Sergipe acompanham a escalada da crise.
Todos os empecilhos possíveis à aglomeração de pessoas em ambientes fechados já foram impostos. Shoppings, lojas, academias, cultos, bares e restaurantes serão fechados, ou funcionarão com restrições, sob a fiscalização da vigilância sanitária. Além da emergência biológica, contudo, há também as implicações econômicas do coronavírus. Estas não podem ser negligenciadas.
Ontem, o governador Belivaldo Chagas anunciou a abertura de uma linha de crédito de R$ 50 milhões. O objetivo é oferecer o mínimo de suporte para pequenos empreendedores e trabalhadores informais. Os recursos não bastam, contudo. Será necessário recorrer ao Governo Federal.
É aí que mora o perigo. O presidente Jair Bolsonaro ainda reluta em assumir o custo econômico e político da pandemia, como se espera de um líder. Ontem, por exemplo, acusou prefeitos e governadores de adotar medidas extremas, com repercussão no comércio e na oferta de serviços. Aparentemente, o presidente despreza a ciência, em prejuízo da saúde pública, trata de fatos provados como se estes fossem uma questão fé, adota o mesmo comportamento ignorante dos cultores da Terra Plana, embora ocupe o posto mais alto da República.


