O governo federal finalmente enviou resposta à embaixada Britânica, a fim de aceitar um acordo de cooperação no desenvolvimento tecnológico de uma vacina para a covid -19. O acordo prevê a compra de lotes da vacina e da transferência de tecnologia. Se demonstrada eficácia, 100 milhões de doses serão colocados à disposição da população brasileira.
A notícia é boa, sinaliza a atenção necessária ao método científico, ainda que tardia. Em termos práticos, a fixação do presidente Jair Bolsonaro pela cloroquina sai de cena, para dar lugar à pesquisa mais rigorosa.
No que diz respeito ao novo coronavírus, o presidente e os seus ministros mais próximos pouco ajudam e muito atrapalham. O chanceler Ernesto Araújo, por exemplo, não perde a oportunidade de criar atrito com o maior parceiro comercial brasileiro, a China. A sua visão rasteira do cenário internacional, de viés ideológico alucinado, já o fez resvalar em xenofobia. Para ele, coronavírus é apelido. O verdadeiro nome do mal seria o comunismo, pai do "vírus chinês".
A cooperação científica pode servir como uma porta de entrada ao Brasil, de volta à civilização. Afinal de contas não se faz Ciência com o amparo de preconceitos e opinião, como parece acreditar Bolsonaro. Infelizmente, o presidente ainda não admite publicamente a gravidade da pandemia, mesmo quando é confrontado pelas milhares de vidas perdidas à toa, pelas mortes que poderiam ter sido evitadas. Este é um capítulo funesto da história do Brasil. O negacionismo do presidente brasileiro rima com perversidade.


