Metade do País tem as mãos atadas, impedidas de exercer qualquer atividade remunerada. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nível de ocupação no país fechou o trimestre móvel encerrado em abril em 48,5%, ficando abaixo de 50% desde o trimestre encerrado em maio do ano passado.
A situação é grave e rima, por assim dizer, com todos os números do desalento verde e amarelo. Neste momento, há no Brasil pelo menos 14,8 milhões de trabalhadores desempregados. Estes se agarram a um tênue fio de esperança, a fim de não entregar os pontos de uma vez por todas. Há, no entanto, quem já tenha desistido. Segundo o mesmo IBGE, cerca de seis milhões de trabalhadores simplesmente cansaram de dar com a cara na porta fechada dos empregadores e desacreditaram da própria sorte, permanecem entregues ao deus dará.
Os números do mercado de trabalho refletem a retração do comércio e da produção industrial. Na comparação anual, a ocupação na indústria geral caiu 4,3%. No comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, a queda foi de 6,7%. Em transporte, armazenagem e correio, a ocupação diminuiu 8,3%. O setor de alojamento e alimentação reduziu 17,7%. E por aí vai.
Sob Bolsonaro, a criação de oportunidades é inversamente proporcional à sucessão de escândalos. Enquanto o presidente viaja, cumprindo uma agenda francamente eleitoreira, sem qualquer proveito para o País, pontos comerciais fecham as portas e cidadãos morrem por falta de vacina. Mas nada o comove.


