MEMÓRIAS NOS TRILHOS DA HISTÓRIA DE SERGIPE, POR BRUNO DE ABREU

Por Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos

Em pouco menos de dez anos, o Mestrado em História da Universidade Federal de Sergipe tem se destacado, não somente no que se refere à formação, mas também aos resultados dos seus egressos, que se sobressaem pela qualidade. Este ano de 2021 tem sido muito especial, nesse sentido, principalmente com a publicação de suas dissertações, além de serem temas de reportagens em inúmeros veículos de comunicação.
Esta semana, foi a vez de Bruno de Abreu Oliveira, o qual tive a honra de orientar seja na graduação, seja no Mestrado. De longe, não tive nenhum trabalho ou contratempo, dada a sua dedicação, bem como à disciplina e ao esmero na arte de escrever, aliando o conhecimento histórico à narrativa, tão cara e às vezes tão rara em nosso ofício.
Bruno é filho de Givaldo da Cruz Oliveira e Cidalia de Abreu Oliveira, um casal de lavradores, que cursaram até a 4ª série e praticantes da agricultura familiar. Nasceu em Simão Dias, no dia 31 de maio de 1995, na antiga maternidade Pedro Valadares.
Viveu a infância e a juventude no seio de uma família do campo, moradores da zona rural de Simão Dias, mais precisamente no Povoado Brinquinho. De orientação católica, sempre vivenciou os ensinamentos ligados a essa religião. Ao iniciar os estudos, ele vivia a escola como uma alternativa em relação ao trabalho braçal. Buscando por esforçar-se sempre, para orgulho dos pais. Segundo ele, foi um jovem tímido e sonhador, que desde a primeira aula de História na 5ª série do Ensino Fundamental, resolveu ser professor de História.
Cursou todo o Ensino Fundamental na Escola Municipal Otaviana Odíllia da Silveira, no Povoado Brinquinho, de 2002 a 2009. Fez o Ensino Médio no Colégio Estadual Dr. Milton Dortas, entre 2010 e 2013, na zona urbana.
Durante a adolescência, trabalhava junto com seus pais, no plantio e na colheita de milho e feijão.
Entre 2013 e 2014, trabalhou via sistema de aprendizagem do SENAI em parceria com uma fábrica de calçados local, com o intuito de juntar um pequeno pecúlio para subsidiar sua ida para Ensino Superior. Naquele mesmo ano, conseguiu o seu primeiro emprego formal, como aprendiz em uma fábrica de calçados. Durante a graduação, teve a experiência de ser Estagiário na Câmara Municipal de Aracaju, atuando no setor de arquivos da Instituição, entre 2016 e 2018. Desde 2019, é Funcionário Público efetivo da Prefeitura de Nossa Senhora da Glória. Recentemente, foi aprovado no Concurso para Professor do Estado de Alagoas e vive a expectativa de tomar posse até fevereiro de 2022.
Tanta luta é resultado de anos de laboriosos estudos, continuados e sedimentados no Curso de Licenciatura em História da Universidade Federal de Sergipe, entre os anos de 2014 e 2018. No ano seguinte, fez uma Especialização em Historiografia Brasileira, pela FAVENI EAD, emendando no Mestrado pelo PROHIS-UFS, concluído em abril de 2021.
Nas duas ocasiões em que esteve na UFS, discorreu sobre a memória ferroviária de Sergipe. O tema ferrovia sempre lhe encheu os olhos, desde seus primeiros contatos durante o estágio na Câmara de Municipal de Aracaju, na qual a chefe do setor de arquivos, Daisy Lima, havia pesquisado sobre a ferrovia em Aracaju, pelo DHI.
O assunto, muito bem tratado pelo professor mestre Bruno de Abreu, despertou interesse da Assessoria de Comunicação da UFS que o convidou para gravar uma matéria, no quadro UFS CIÊNCIA, disponível na página da instituição e no canal YouTube.
Intitulada “Do progresso à saudade: pesquisa aponta as representações das ferrovias em Sergipe”, a matéria reporta os resultados da pesquisa de Bruno, defendida este ano, no formato remoto: “Nos trilhos da memória: a representação das ferrovias no imaginário sergipano” (1913-1979). Entre as principais fontes utilizadas, fotografias e jornais.
Num país onde o Ensino Público Superior vem sendo cada vez mais vilipendiado e mais de perto o estímulo à pesquisa nos programas de pós-graduação, histórias promissoras como as de Bruno de Abreu e de tantos outros dos nossos me dão cada vez mais a certeza que o melhor da UFS são seus alunos e é por eles que tem valido a pena investir, estimular e resistir.

Compartilhe esta notícia