Água de beber

“Hoje, Dia Mundial da Água, os sertanejos reivindicam o mínimo indispensável à própria subsistência.”

Dois anos seguidos sem o abastecimento regular de água potável. Inimaginável, a situação denunciada por movimentos sociais e camponeses responsabiliza diretamente a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), além do governador Belivaldo Chagas, pelas torneiras secas do Alto Sertão sergipano.
Errados, os sertanejos não estão. Hoje, Dia Mundial da Água, eles reivindicam o mínimo indispensável à própria subsistência, nada mais do que água boa de beber. Para tanto, é necessário que investimentos sejam realizados. A responsabilidade recai justamente sobre a Deso e o governo do estado.
O tema é urgente, mas convém evitar confusão. Não se trata aqui de fazer coro aos protestos privatistas entoados pelos desavisados. Mas de reivindicar a melhor prestação de um serviço de natureza fundamental.
A água nas torneiras dos sergipanos é hoje matéria de justificada preocupação. Em primeiro lugar, ninguém alimenta mais a ilusão de que a água potável é bem natural e recurso infinito, a salvo de gestões e poderes mundanos. Trata-se, isto sim, de uma riqueza já explorada à exaustão, no centro de interesses nada beatos. A constante queda de braço entre os ribeirinhos do moribundo São Francisco, hidrelétricas e distribuidoras de energia é prova. A peleja por água se dá até mesmo às margens dos rios.
A sede dos sertanejos sergipanos adverte que a gestão dos recursos hídricos não pode ser transformada em mero produto, em troca de qualquer quantia, como se desprovida de finalidade social e reflexos previsíveis na economia do estado. Além de um problema secular, a seca que ora maltrata homens e bichos no Alto Sertão faz um alerta doloroso: onde a água falta resta praticamente impossível levar uma vida de gente.

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