“Sob Bolsonaro, os brasileiros mais pobres não têm direito nem a cair de cama em paz”
A inflação é um bicho faminto, cujos dentes arrancam pedaços cada vez maiores da renda minguada do trabalhador. O resultado é visto em carrinhos de supermercados esvaziados. Nas circunstâncias mais drásticas, mesmo os itens de consumo considerados essenciais, como alimentos e produtos de higiene, são racionados. Na prática, o salário do brasileiro está a cada dia mais magro.
O contexto é de carestia. Infelizmente, as agruras enfrentadas pela população não sensibilizam o presidente Bolsonaro. Ontem, um aumento de até 10,89% no preço dos medicamentos foi autorizado pelo governo federal.
Os percentuais de reajuste ao consumidor final já foram publicados no Diário Oficial da União. Segundo a resolução, o aumento foi calculado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais fatores ligados à produtividade relativos a cada setor, conforme resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Desculpas ou explicações à parte, a população terá de arcar com mais um óbice no orçamento doméstico. Não bastassem as demais tarifas reguladas pelo governo federal, a exemplo da energia elétrica, agora o cidadão terá de arcar com o reajuste inesperado de medicamentos, já comercializados a preços exorbitantes. A impressão que fica é de que sob Bolsonaro, depois de apelar para o fogão a lenha, sem condições de arcar com o custo do gás de cozinha, os brasileiros mais pobres não têm direito nem a cair de cama em paz.


