O trabalhador teme o dia em que terá de escolher entre pagar tarifas básicas botar comida na mesa de casa
Dar com uma mão, tirar com a outra. O poder público tem sido pródigo em vilanias remetidas aos trabalhadores brasileiros. Um dia, o governo federal anuncia a suspensão da tarifa de escassez hídrica, adicionada à conta de luz, a fim de compensar o uso de usinas termelétricas. Logo em seguida, o reajuste da tarifa pleiteado pela Energisa é autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica, em patamar até abusivo. No fim das contas, o consumidor fica no zero a zero.
A ANEEL aprovou o reajuste tarifário anual da Energisa Sergipe – Distribuidora de Energia S.A. As novas tarifas da empresa, que atende cerca de e 825 mil unidades consumidoras no estado, entram em vigor sexta-feira, com reajuste de 16,46 % para o consumidor residencial.
De paulada em paulada, o trabalhador teme o dia em que terá de escolher entre pagar tarifas básicas como aluguel, água, energia e transporte, ou botar comida na mesa de casa. Convém observar que alguns dos reajustes mais pesados precisam de autorização expressa de entes federais.
A própria tarifa de escassez hídrica, aliás, é uma perversidade. Trata-se de transferir para o consumidor o ônus de escolhas desastrosas, relacionadas ao investimento necessário em produção de energia elétrica. A despeito do grande potencial eólico e solar, o Brasil privilegia fontes mais dispendiosas e poluentes. A construção de usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares não se dá sem grande dispêndio. Ao contrário do consumidor, constantemente assombrado com o risco de apagão, as grandes construtoras agradecem.


