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“Tão vulneráveis quanto toda a população, os motoristas de aplicativo trabalham com medo”

Representantes da cúpula da Secretaria da Segurança Pública e dos motoristas de aplicativo estiveram reunidos, a fim de traçar estratégias capazes de dar fim à ousadia da bandidagem. A bem da verdade, no entanto, há pouco a ser feito pela polícia. Sem a colaboração das empresas que faturam alto com a precarização das relações de trabalho, os seus colaboradores seguirão à mercê da própria sorte.
Do pouco que pode ser exigido da SSP, quase tudo já é feito com maior ou menor regularidade. As autoridades mencionam o trabalho preventivo com blitze, além de destacar flagrantes e mandados de prisão já cumpridos. Mas as medidas adotadas não intimidam os bandidos. Tão vulneráveis quanto toda a população, os motoristas de aplicativo trabalham com medo.
Empresas como a Uber e similares prometiam causar um impacto positivo nas questões de mobilidade, tão sensíveis no cotidiano das grandes cidades. Para tanto, ofereceram serviços de qualidade, amparados em parcerias mais ou menos vantajosas para os motoristas ludibriados por ganhos imediatos muito acima da média de salários praticados no Brasil. Isso mudou, há tempos. Tanto a qualidade do serviço como os repasses aos profissionais cadastrados na plataforma caíram muito, após a pacificação de questões relacionadas à legalidade em âmbito judicial.
Convém, contudo, atentar para a natureza ainda muito precária das relações de trabalho entre motoristas de aplicativo e as plataformas que mediam o contato com os passageiros. Diversas sentenças judiciais já confirmaram a responsabilidade das empresas com a segurança e bem estar de seus “colaboradores”. A morte de um profissional assassinado em serviço não pode ser ignorada pelas empresas. É imperativo considerar o valor de uma vida, além de lucro e capital.

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