“A “inteligência artificial” simplesmente nega o benefício, sem informar ao segurado os motivos da recusa”
A automatização do atendimento, a saída encontrada por Jair Bolsonaro para contornar a greve dos servidores na linha de frente do Instituto Nacional de Seguridade Social, revela a falta de sensibilidade do governo de turno. A denúncia é grave. Os robôs adotados para analisar os pedidos de benefício estariam negando o direito devido a milhares de trabalhadores, sem qualquer mediação, por simples questão burocrática.
Para reduzir a fila de espera do INSS, a direção do Instituto decidiu fazer análises de pedidos de concessão de benefícios por meio de inteligência artificial. A intenção era a de dar andamento mais rápido aos quase dois milhões de processos parados, mas não deu certo, denuncia a Secretaria-Geral do Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo (SINSSP). Sem a intermediação do servidor, capaz de detectar falta de documentos que deveriam ser juntados aos processos, a “inteligência artificial” simplesmente nega o benefício, sem informar ao segurado os motivos da recusa.
Longe de levar uma vida fácil e gozar merecido descanso, após uma vida inteira de trabalho, os aposentados brasileiros sofrem um golpe após o outro. A reforma na previdência promovida pelo governo Bolsonaro foi o mais covarde, pois ampliou desigualdades e dificultou o acesso ao benefício. Não foi o único.
Um corte de R$ 988 milhões no orçamento do INSS deve atrasar a concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários, como aposentadoria, pensão e auxílio-doença; prejudicar o atendimento dos segurados; fechar agências e, segundo o sindicato de funcionários, aumentar o tamanho da fila de espera, que hoje tem 1,8 milhão de processos. Na prática, o presidente tirou da boca dos velhinhos para distribuir entre os aliados no Congresso.

