A Polícia Federal levou meses para chegar à mesma conclusão de toda a opinião pública: A morte de Genivaldo Santos, sob a custódia da Polícia Rodoviária Federal, não foi fruto de um “mal súbito”, como chegou a ser divulgado pela instituição. O homem de 38 anos foi assassinado por três agentes em serviço.
Genivaldo morreu em maio deste ano, depois de ter sido trancado no porta-malas de uma viatura da PRF e submetido a inalação de gás lacrimogêneo, na BR-101. A certidão de óbito concedida pelo Instituto Médico-Legal (IML) à família apontou asfixia e insuficiência respiratória como causas da morte. Mesmo assim, o inquérito instaurado para apurar o ocorrido foi prorrogado diversas vezes.
A demora para concluir o inquérito, bem como a inexplicável complacência do poder judiciário, responsável por manter os assassinos de Genivaldo em liberdade, tudo demonstra o esforço corrente para manter o crime impune. Os investigados no caso, aliás, são os policiais Kleber Nascimento Freitas, Paulo Rodolpho Lima Nascimento e William de Barros Noia. Os nomes foram revelados pela reportagem de uma rede de televisão nacional. A PRF, por sua vez, fez questão de resguardar o nome dos suspeitos.
A Justiça Federal em Sergipe negou o pedido de prisão dos três policiais rodoviários federais apontados como os autores do crime. Enquanto pretos e pobres permanecem trancafiados sem julgamento, os policiais responsáveis por matar um pai de família, em plena luz do dia, permanecem livres, leves e soltos. Um escárnio.


