Os brasileiros querem consumir, abrir a mão, pagar por serviços, adquirir bens e produtos. Mas a economia não ajuda. O resultado emerge em forma de renúncias pessoais, restritas ao ambiente doméstico, além de virar estatística. Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), quase 80% das famílias brasileiras estão endividados. Trata-se da maior taxa de inadimplência registrada em 12 anos.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, divulgada pela CNC, apontou que o total de lares brasileiros com dívidas a vencer chegou a 79,3% em setembro – este é o terceiro aumento consecutivo em 2022.
As recentes altas na taxa de juros, que encarece o crédito, e o desemprego ainda elevado, são as principais causas para o aumento da inadimplência. A queda na renda média do trabalhador também afeta o pagamento de dívidas. Mesmo com a recuperação gradual do mercado de trabalho nos últimos meses, grande parte das pessoas está encontrando empregos com remuneração abaixo da própria expectativa, aumentando a dificuldade para quitar débitos em atraso.
Os reflexos do dinheiro pouco fora de circulação certamente já estão sendo percebidos pelos comerciantes. Como sempre, os lojistas são os primeiros a lidar com os bolsos vazios do consumidor. O movimento cai e o risco de desemprego aumenta, um verdadeiro pesadelo, um ciclo vicioso. Enquanto o governo federal tenta vender otimismo, de olho na duvidosa reeleição do presidente Bolsonaro, os brasileiros permanecem no vermelho.


