O Ministério Público Federal ajuizou, finamente, denúncia contra os policiais rodoviários que sufocaram Genivaldo Santos com gás lacrimogêneo, até a morte. O caso é de conhecimento público. O homem foi algemado e trancado no fundo de uma viatura, onde uma bomba de gás foi deflagrada, em via pública, em presença de testemunhas, em plena luz do dia.
Segundo o MPF, a denúncia foi ajuizada na 7ª Vara da Justiça Federal em Sergipe, responsável pela jurisdição de Umbaúba, onde aconteceu a abordagem. No documento, o MPF pede que o juiz, após analisar o recebimento da denúncia, determine que o processo tramite sem sigilo. Os detalhes sobre o documento enviado à Justiça não foram divulgados pelo MPF.
De fato, muito ainda precisa vir à tona. Ao contrário do crime, cometido às claras, o inquérito responsável pela apuração do caso percorreu uma via tortuosa. Num primeiro momento, inclusive, a assessoria de comunicação da PRF no estado atribuiu a morte de Genivaldo a um mal súbito, contrariando laudo do Instituto Médico Legal. Prorrogado por diversas vezes, sem justificativa aparente, o desenrolar do inquérito deixou a impressão de investir na impunidade. Felizmente, a vigilância da opinião pública não deixou o crime cair no esquecimento.
É preciso também dar nome aos bois. Os acusados pela morte de Genivaldo são os policiais rodoviários federais William de Barros Noia, Kleber Nascimento Freitas e Paulo Rodolpho Lima Nascimento, todos indiciados por homicídio qualificado e abuso de autoridade. Espera-se que recebam punição exemplar. De outro modo, vigora o corporativismo e a impunidade.


