Indícios de que o rigor da Lei foi suplantado pelo abuso de autoridade nas abordagens da Polícia Rodoviária Federal em Sergipe não faltam. O caso mais escandaloso, o assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, por asfixia, ganhou repercussão nacional. Outros, no entanto, já foram denunciados. A sucessão dos episódios faz pensar na institucionalização da tortura – um dado inaceitável.
Ontem, três policiais rodoviários foram denunciados pelo Ministério Público Federal. Clenilson José dos Santos, Paulo Rodolpho Lima Nascimento e William de Barros Noia teriam torturado dois jovens, um deles menor de idade, durante abordagem ocorrida em Umbaúba, o mesmo município onde Genivaldo agonizou até a morte, alguns dias depois.
Não pode ser coincidência. De fato, policiais flagrados em abuso de autoridade, nos episódios mais brandos, ou com sangue inocente nas mãos, nos mais revoltantes, raramente recebem punição à altura de seus crimes. Sobre a morte de Genivaldo, por exemplo, não pesa a necessidade de maiores investigações, esclarecimentos. O crime foi cometido à luz do dia, documentado em vídeo, em presença de testemunhas. Ainda assim, os criminosos permanecem livres por vários meses, enquanto a família da vítima clamava por Justiça.
A impunidade é o principal incentivo para que policiais se comportem como bem entendem, ao abordar cidadãos desprotegidos nas periferias das grandes cidades, nos grotões do País. Somente a vigilância da sociedade, mais a atuação incisiva do Ministério Público, são capazes de fazer frente à cultura de morte naturalizada nas delegacias e quartéis espalhados pelos quatro cantos do Brasil.


