Pela democracia

Domingo, 30 de outubro, os brasileiros irão às urnas, cientes de tomar parte numa eleição decisiva. Decidem no voto se permanecerão resguardados pelas garantias individuais que dão lastro à Constituição de 1988 e, no extremo, opinam também sobre a as virtudes e limites da própria Democracia.
Não se trata apenas de escolher entre um candidato e outro, um político de trajetória progressista, forjado nas lutas do trabalhismo, e um sujeito repleto de privilégios, de perfil mais conservador. O embate eleitoral travado entre Lula e Bolsonaro cristaliza duas visões de mundo em tudo opostas, como é próprio das disputas eleitorais. Somente uma das candidaturas, entretanto, investe contra o sistema eleitoral e faz ameaças de ruptura, caso o resultado do pleito não lhe seja favorável.
O presidente Bolsonaro jamais fez segredo de seu pendor autoritário. Por ele, não haveria oposição, nem os limites estabelecidos pela Constituição Federal ao exercício do poder outorgado pelo voto popular. Bolsonaro gostaria de governar sem a vigilância e o escrutínio de outros poderes, sem as balizas da Carta Magna sob a guarda do Supremo Tribunal Federal, sem dar satisfações a ninguém, sem pedras em seu sapato, sem liberdade de imprensa.
Não espanta, portanto, que Bolsonaro use todos os meios a seu dispor para vedar o acesso à informação. O voto em favor do presidente em campanha pela reeleição mantém um sigilo de cem anos sobre questões de interesse público e legitima o vício sem precedentes do orçamento secreto. Um eventual segundo mandato de Bolsonaro seria uma prova de fogo para a República e as instituições democráticas.
Não se espera que a vitória de Lula dê fim a todos os desafios econômicos que afligem o país, do dia para a noite. Esta não seria uma expectativa razoável. Do candidato do Partido dos Trabalhadores, espera-se apenas que demonstre o mínimo de sensibilidade social e respeite os limites estabelecidos ao exercício do cargo – postura que, aliás, contra todas as queixas e faltas, ele adotou ao longo dos dois mandatos em que se consagrou como o presidente mais popular do Brasil. Diferente de Bolsonaro.

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