As grandes empresas brasileiras devem os olhos da cara para a administração pública. De acordo com levantamento da Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital, grandes empresas devem R$ 10,5 bilhões, somente em Sergipe. O valor supera em duas vezes toda a receita gerada pela arrecadação estadual, no período de um ano.
O Atlas da Dívida Ativa dá uma dimensão precisa à sonegação fiscal que sangra os cofres públicos, sem nenhuma cerimônia. Nacionalmente, a dívida ativa chega a quase R$ 1 trilhão negados aos cofres públicos. De 2015 a 2021, a dívida ativa no Balanço Patrimonial dos estados brasileiros teve um crescimento expressivo, passando de R$ 682,2 bilhões para R$ 987,75 bilhões em 2021.
A tendência apontada pela Fenafisco faz pensar na conivência dos gestores públicos. O estudo identificou que a dívida ativa, sob administração das procuradorias gerais dos estados ou das secretarias de fazenda, aumentou em 45% entre 2015 e 2021. A pesquisa mostra que a dívida ativa está concentrada em poucas e grandes empresas, que possuem também uma alta concentração regional, haja vista que a maior parte delas se localiza na região Sudeste.
Aparentemente, disposição para honrar dívidas e compromissos assumidos é mesmo uma veleidade reservada aos trabalhadores, obrigados a arcar com os juros extorsivos do cartão de crédito, impagáveis. As grandes empresas, ao contrário, devem e não negam. Mas ninguém sabe se estarão dispostas, um dia, a quitar as próprias pendências, sem ninguém para cobrar.

