Prof. Dr. Claudefranklin Monteiro Santos
Como se diz no popular: “festa terminada, tabaréu na estrada”. E assim o foi para a Seleção Brasileira de Futebol Masculino no último dia 9 de dezembro, quando perdeu nos pênaltis para a Croácia por 5 x 3, em mais uma vexatória desclassificação, desde 2006, quando ambiciona, sem êxito, o tão desejado e esperado HEXA. Pelo visto, se não aprendermos, de uma vez por todas, com nossos erros, precisaremos esperar mais 24 anos para isso. O último jejum de título foi 1970-1994.
Ainda recorrendo ao falar sábio do povo: “acabou o amor”. Refiro-me ao treinador Tite. Assim foi com Telê Santana (1982-1986) e Felipão (2014). E olhe que este último foi um dos grandes responsáveis pelo PENTA de 2002. Mas, é muito difícil perdoar e entender, não necessariamente nessa ordem, o 7 x 1 para Alemanha. De qualquer sorte, melhor dizendo, azar ou mesmo falta de competência, Tite não conseguiu refletir na Copa de 2022 o que foi sua passagem importante, sem sombra de dúvidas, pela Seleção, em duas oportunidades, pois certamente esta foi a sua última.
Agora a solução é um técnico estrangeiro. Ora, me poupem “sabidos” do futebol. Mas, isso não tem nenhum cabimento. Temos excelentes quadros para dar, vender e emprestar, como já fizemos em outras ocasiões, como o Felipão. Luiz Felipe Scolari, logo que foi campeão pela Seleção Brasileira em 2002, assumiu a Seleção Portuguesa em 2003, alcançado resultados expressivos para a época e para aquele grupo: final da Eurocopa 2004 e semifinal da Copa de 2006.
Portanto, a primeira culpa é sempre do timoneiro e não é diferente em outras culturas, sobretudo no mundo ocidental. Especialistas, comentaristas, jogadores e ex-jogadores, muitos deles campeões mundiais, apresentaram uma série de erros de Tite. Permitam-me endossar alguns: escalar o time reserva para a derrota contra Camarões; convocar Daniel Alves; não convocar Gabigol (e olhe que sou vascaíno apaixonado); e sacar Richarlison e Vinícius Júnior da partida (derrota) contra a Croácia. Sem falar na falta de hombridade ao deixar o grupo abandonado em campo, saindo de fininho para o vestiário, enquanto os garotos da Seleção choravam e lamentavam a desclassificação.
Mas os erros de seu Adenor Leonardo Bacchi, o vitorioso Tite (inegável, se você olha o todo da carreira), apenas refletem outras questões ainda mais sérias e que pouco se trata com presteza, eficiência e habilidade, a começar pela soberba da CBF que, de algum modo, recai sobre a Seleção Brasileira. E, nesse sentido, o polêmico Casa Grande tem razão de sobra: a falta de empatia e identificação do povo com a sua Seleção. E isto, não somente pela tentativa de sequestro do simbolismo da “canarinho” pela extrema direita brasileira de nosso tempo; mas também e sobretudo pela forma como nosso jogadores são tratados: megaestrelas endinheiras e sem o mínimo de bom-senso.
Após a desclassificação para a Argentina em 1990, houve uma profunda reformulação e a Seleção de 1994 chegou desacreditada e foi campeã, mesclando talento e juventude, mas sem abrir mão da EXPERIÊNCIA. Não me refiro à Daniel Alves, fim de carreira, sem deixar de reconhecer seu enorme valor para o Futebol. Mas, vencemos Copas com jogadores “cascudos”, que já sofreram e tiveram seus erros calejados na pele e na alma.
E nesse sentido, não é de todo exagerado dizer que o que falta na Seleção Brasileira não é talento. É vontade de ser vitoriosa! De colocar o coração na ponta chuteira, como fazem os argentinos (na final) e os franceses (também na final). Ambas as seleções tiveram derrotas históricas na fase de grupo. Mas, fizeram do revés o combustível necessário para seguir adiante na competição.
Minha sempre me dizia: “meu filho, ninguém morre de véspera”. Eu respondia: “só peru, né mãe”. E ambos ríamos do trocadilho cheio de sabedoria. E assim o foi com a Seleção Brasileira. Mais uma vez deixou escapar o Hexa pela mesma razão que nos assombra desde 2006: a soberba. Ninguém joga bola de salto. O jogo jogado vai além dos cifrões. É necessário sonhar, superar-se e querer vencer. Definitivamente, Copa do Mundo não é para todos e para o Brasil segue sendo um sonho distante, à sombra de um passado glorioso.


