Rômulo Rodrigues
A maior prova que temos nos dias atuais de que o tal Mercado não passa de uma Organização Criminosa é aquilo que o presidente Lula acaba de desnudar; a taxa Selic é uma arma que os agiotas e atravessadores têm para manter a inflação em alta e manter o desemprego crescente para poder usar o exército de reserva e achatar salários.
Como é o próprio Mercado quem financia as narrativas dos editoriais dos jornais corporativos e dos telejornais diários, através de jornalistas e analistas pagos por ele, faz com que os assaltados diariamente pelas medidas impostas, acreditem ser beneficiados com a mentira da quebrada autonomia do Banco Central e entregado seu controle ao Deus Mercado como algo bom.
Foi sob a embriaguez da narrativa de que o BC não poderia ficar sob o controle governamental que o congresso de maioria bolsonarista aprovou a lei 179/19 que deu de bandeja o instrumento mais poderoso de controle monetário para, justamente, os que se beneficiam com os descontrole; de lá para cá, a inflação só tem furado, e muito, o teto da meta.
Impressionante que entre os expoentes dos discursos pelo controle privado do BC, estavam os 3 Irmãos Metralhas que deram um tombo de R$ 40 bilhões nas Lojas Americanas e tudo indica que mais R$ 30 bi na Ambev.
E eles não têm um pingo de vergonha como, por exemplo, o engomado Dr. Roberto Campos Neto que continua no grupo de Zapp assumidamente de extrema direita deixando claro para o entendimento geral de que a manutenção da alta de juros é uma estratégia para estrangular a economia e inviabilizar o programa desenvolvimentista do governo democrático e popular enquanto seus parceiros da mídia encobrem que na sua gestão já provocou um prejuízo de R$ 410 bilhões ao Tesouro Nacional o que já dá justificativa para que o Senado Federal casse o seu mandato, para o bem do povo brasileiro.
Os arautos do controle de gastos, diga-se, contra qualquer investimento em programas sociais, não dizem absolutamente nada contra os sucessivos escândalos praticados pela quadrilha que ocupou o Palácio do Planalto por 4 anos e se lambuzou a tal ponto que, tendo como escudo um tenente-coronel do exército mandar esvaziar o espelho d’agua e matar relíquias como as valiosas Carpas presenteadas à República, para roubar as moedas atiradas por turistas em gestos de desejar boa sorte ao Brasil.
Parece fato sem conexão na tentativa do Mercado controlar o governo através dos agentes da mídia, mas não é. Como não é coincidência que a ofensiva venha na semana em que completa 1 mês da tentativa de golpe desencadeado pelos ricos que perderam a eleição para presidência da República, incentivados por quem tem dinheiro e encampado por muitos que nem meios de sobrevivência tem.
O momento é de prestar muita atenção às insurgências dos partidos, midiático e militar, nas suas subserviências ao Mercado. Eles não defendem os interesses do País; defendem essa entidade que não se configura fisicamente e é identificada como: “A Faria Lima”, mas não passa de um monstro cruel e invisível a devorar a riqueza nacional e os direitos dos cidadãos e das cidadãs que labutam diariamente.
A Roda Gigante da ciranda financeira provoca essas contradições para atrair para o bloco dos opressores, multidões de oprimidos com a ilusão de que com esforços, todos poderão um dia chegar lá.
Sobre isso, alguém propôs em rede social, um teste sobre meritocracia, simples assim: “Seleciona 12 pessoas muito ricas, tira tudo que elas têm, coloque-as para morar numa favela, trabalhando 8 horas por dia, 2 horas para ir ao trabalho, 2 horas para retornar para casa em transporte coletivo, com 1 dia de folga semanal, sem carteira assinada. O que juntar um milhão de reais primeiro, será proclamado vencedor com direito a ser convidado para todos os programas globais”.
Diante das revelações das tentativas de exterminação do povo Yanomami, praticada pelos amigos do Dr. Campos Neto, fica a descoberta de que enquanto os garimpeiros das mineradoras extraiam e contrabandeavam o ouro daquelas reservas, o Banco Central comprou milhões de dólares em barras de Ouro, quem sabe, a custa de suor e sangue do povo massacrado. Que fique claro que o papel do presidente do BC é o de desestabilizar o governo.
Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político.


