AGRICULTURA SERGIPANA NO CENSO E NO SÉCULO

Manoel Moacir Costa Macêdo

Na agricultura sergipana, cinco culturas são destaques em área plantada e volume de produção: milho, laranja, coco-da-baía, mandioca e cana-de-açúcar. Nenhuma movimentação relevante aconteceu nos últimos anos na estrutura agrária e em políticas públicas estruturantes, apesar da substituição da mão-de-obra por tratores e a consequente redução do emprego rural.
O Censo Agropecuário de 2017 repetido pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística desde 1940, em sua síntese, trouxe informações relevantes ao planejamento e formulação de políticas públicas. Somente 7,4% das propriedades rurais nordestinas recebem “assistência técnica” e 43% não usam nem o “preparo do solo”, prática elementar nos sistemas de produção agrícolas. Enquanto na região Sul, 48,6% das unidades rurais são “assistidas tecnicamente” e 66,5% “preparam o solo”, afora as abismais distâncias de acesso às informações virtuais numa economia globalizada. Um país dividido entre uma agricultura de subsistência e outra lastreada na ciência e no empreendedorismo dos agricultores.Quase 70% do crescimento da produção agropecuária brasileira é devido à tecnologia.
Um caso de destaque na agricultura sergipana, é o cultivo do milho na região do SEALBA, território produtivo delineado pela Embrapa Tabuleiros Costeiros e acolhido pelo setor produtivo para os estados de Sergipe, Alagoas e Bahia. Com uma área plantada de aproximadamente 170 mil hectares, grão de importância econômica nas cadeias produtivas alimentares humana e animal e com efeito na geração de renda dos produtores rurais. Capilaridade espacial no território nacional e dinâmicas regionais diferenciadas. Em Sergipe, predomina um polo de sucesso alavancado pela demanda externa no ciclo das commodities e intensificada pelo crescimento do mercado interno. A cultura do milho se mostrou dinâmica com aumento de produtividade, onde a média nordestina está abaixo da sergipana, com tendência crescente de eficiência produtiva. Um exemplo de empreendedores rurais. Experiência endógena do setor produtivo.
O caso do milho, não se reproduziu nas demais culturas destacadas. A área cultivada com o coqueiro em Sergipe alcança os modestos 37 mil hectares, 10% do plantio nacional, em sua maioria na forma extrativista com o improdutivo “coqueiro gigante”, exclusivo para a produção de “coco seco”, distinto do “coqueiro anão”, produtivo, precoce e próprio à produção de “água”. A mandioca permanece com limitada produtividade, e uma área plantada estagnada em menos de 20 mil hectares. Cultivo de subsistência, e mercado consumidor essencialmente “in natura”, ou de produtos processados com baixo valor agregado. O monocultivo da cana-de-açúcar abrange uma área plantada de 46 mil hectares, abaixo apenas do monocultivo do milho. Mercado oligopolizado por usinas de açúcar e álcool. Atividade histórica que ainda valora a “terra” na forma de arrendamento de rentistas. A laranja, outro monocultivo e único produto agrícola na pauta de exportação do Estado de Sergipe como “suco de laranja”, numa área plantada de 42 mil hectares, com baixo rendimento dos cultivos, carentes de tecnologia e inovação, apesar do crescimento da área plantada.
Destaque no referido Censo Agropecuário à produção de leite na bacia leiteira sergipana da região semiárida, com realce para o povoado de Santa Rosa do Ermírio. As evidências desses casos singulares, não foram ao acaso, exigiram no século passado, grande esforço de pesquisa, validação e difusão de tecnologia, por parte do setor público que assumiu a totalidade dos riscos da inovação. Não se nega no lapso temporal, nem o estoque de tecnologia, nem a infraestrutura estatal.
A realidade impõe muito mais do que elevar a produtividade total dos fatores, mas respeitar as exigências dos mercados por alimentos saudáveis, matérias-primas naturais, respeito ao meio ambiente, sistemas produtivos transparentes e responsáveis e a adoção de relações de produção amigáveis e justas. Novas estratégias de planejamento agropecuário, lastreadas nos riscos e prevenções sanitárias são requeridas com urgência.

Manoel Moacir Costa Macêdo é engenheiro agrônomo e advogado.

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