Para quem precisa

De acordo com o governo federal, fraudes na concessão do Bolsa Família impedem hoje que o benefício chegue aos bolsos de quem mais precisa. Segundo levantamento preliminar, pelo menos 2,5 milhões de cidadãos receberiam os recursos do programa de transferência de renda indevidamente.
O caso é escandaloso, escancara a incompetência da gestão Bolsonaro, incapaz de manter os programas sociais do governo sob controle, além de sugerir razões ocultas para o ataque desferido por anos a fio contra o Bolsa Família. Em verdade, os críticos pouco se importam com a fome nos calcanhares de tantos brasileiros.
Os programas de transferência de renda começaram a ser adotados no Brasil durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Ampliado desde o primeiro mandato de Lula, sempre mereceu a alcunha de “bolsa esmola” pelos adversários do Partido dos Trabalhadores. Além do seu evidente apelo eleitoral, contudo, há razão de sobra para o governo federal insistir na distribuição do auxílio. Antes de todos, a economia agradece.
Quando um programa com a natureza do Bolsa Família alcança quem realmente precisa da assistência do poder público, todos ganham. Em um País incapaz de oferecer uma oportunidade a mais de dez milhões de desempregados, a fome é um dado da realidade. O pagamento do Bolsa Família tem sim, portanto, uma face assistencialista. No entanto, as consequências virtuosas derivadas do consumo entre os mais pobres não são menos importantes.

Compartilhe esta notícia