No olho da rua

O empobrecimento da população brasileira é percebido a olho nu, nos cruzamentos de qualquer cidade de médio e grande porte, a despeito das narrativas eventualmente construídas pelos poderosos. De pouco adiantou, por exemplo, o otimismo delirante insuflado pela gestão Bolsonaro, anos a fio. No fim das contas, grande parte dos cidadão parou no olho da rua.
Ano passado, a população de rua superou as 281 mil pessoas. O número representa um aumento de 38% desde 2019, após a pandemia de covid-19, em cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O estudo do Ipea alerta que o aumento de pessoas nas ruas é muito maior em proporção do que o da população em geral. No período de dez anos, de 2012 a 2022, o crescimento desse segmento vulnerável foi de 211%. Segundo dados do IBGE, o aumento populacional brasileiro foi de 11% entre 2011 e 2021.
A situação só chegou a tal ponto por força de omissões e prioridades controversas. A fome dos brasileiros – um fato atestado, sobre o qual não paira sombra de dúvidas – não preocupou o presidente Bolsonaro. Em 2021, a insegurança alimentar atingiu patamar recorde e superou, pela primeira vez, a média global. Sobre o assunto, trazido à tona por uma pesquisa de abrangência mundial, Bolsonaro fez graça.

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