A história do exército brasileiro é marcada pelo pendor para o autoritarismo. Prova disso é a infinidade de golpes militares e tentativas frustradas de golpes militares registradas nos livros de História. A mais recente, a pantomina do último 8 de janeiro, ainda precisa ser passada a limpo.
Evidências e circunstâncias apontam para os maiores interessados em um golpe. Os mentores intelectuais e financiadores do levante contra a democracia, contudo, ainda precisam ser identificados e punidos exemplarmente. De outro modo, a estabilidade do regime restará fragilizada, ferida de morte, vulnerável ante eventuais rompantes de milicos e celerados sem patente.
Ontem, um oficial do exército, o coronel Jean Lawand Júnior, foi constrangido a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instaurada para elucidar os atentados de 08 de janeiro. Ele não colaborou com a Comissão, limitando-se a negar o teor das mensagens trocadas com o tenente Mauro Cid, ajudante de ordens do então presidente Jair Bolsonaro. Mas ainda há de se explicar com Justiça.
Felizmente, a CPMI em curso é apenas mais uma das instâncias onde os episódios criminosos do 08 de janeiro estão sendo apurados. A tentativa de golpe não há de ser esquecida. Dessa vez, as investigações são conduzidas pela sociedade civil, a hipótese de anistia não está em pauta.


