No caso do Brasil, a ambição de protagonismo no cenário internacional é também uma vocação natural. As dimensões continentais e a diversidade geográfica do país, mais o seu peso econômico e cultural, o credenciam a falar de igual para igual com qualquer liderança do mundo. Para isso é imprescindível que o presidente brasileiro se comporte, ele também, como uma liderança.
Este é, felizmente, o caso do presidente Lula. Ontem, ele abriu os debates entre os líderes da 78ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Para Lula, o combate às mudanças climáticas e à desigualdade são os principais desafios a serem vencidos pelos líderes mundiais. Segundo o presidente, para vencer as desigualdades, é preciso vencer a resignação e a falta vontade política daqueles que governam o mundo.
“A fome, tema central da minha fala neste Parlamento mundial 20 anos atrás, atinge hoje 735 milhões de seres humanos que vão dormir esta noite sem saber se terão o que comer amanhã. O mundo está cada vez mais desigual. Os dez maiores bilionários têm mais riqueza que os 40% mais pobres da humanidade”, acrescentou.
A liderança popular exercida por Lula sempre foi um ponto pacífico, mesmo entre os seus adversários e os seus críticos. A sua influência no cenário internacional, contudo, nem sempre é admitida. A qualidade do discurso proferido ontem, contudo, credencia o presidente brasileiro a propor, refletir e discutir sobre as urgências do mundo sem pedir licença a ninguém.


