NO JOGO DEMOCRÁTICO TODOS OS JOGADORES PODEM JOGAR

* Rômulo Rodrigues

Principalmente os titulares do principal tabuleiro do xadrez municipal, a câmara de vereadores, que aparentemente se levanta, após décadas de submissão a quem têm o Diário Oficial e a caneta Park-51, e só.
Vejamos o aspecto da Práxis na contradição e tensão entre real política x real poder, de fato e de direito.
Pelo que reza a regra do jogo, também chamada de constituição, o integrante do legislativo, no caso o vereador, tem poder de aprovar o desaprovar as contas do prefeito; tem também o poder de aprovar, emendar ou rejeitar a proposta orçamentária; pode e dever exercer total fiscalização em todos os atos governamentais e administrativos do prefeito; pode aprovar ou rejeitar nomeações para a montagem do governo municipal e mais um monte de coisas inerentes ao funcionamento da máquina pública municipal, é claro. E, então, porque diabos o vereador é tratado pelo chefe, não me refiro ao atual só, mas, também ele, como um quase ajudante de ordens?
Porém, e sempre têm um, porém, há algo no ar em Aracaju, que nada parece com aviões de carreira. Há sim, um grande despertar de quase 2/3 da casa legislativa da capital que, por duas vezes, deu o alerta. Alto lá! Aqui tem diretoria e estamos avisando que acabou o recreio e estamos para começar as provas finais e quem quiser avacalhar o andamento do jogo que vai ser jogado, vá dar uma olhada na história.
A bela e politizada Aracaju mostrou seu perfil de autonomia política quando na eleição presidencial de 1945 em que o candidato que fora ministro da guerra do governo Getúlio Vargas, general Eurico Gaspar Dutra, PSD, que mesmo tendo conspirado para derruba-lo, recebeu, o apoio decisivo do velhinho, derrotou o candidato brigadeiro Eduardo Gomes, UDN, na eleição nacional, mas ambos acabaram vencidos pelo candidato do pouco conhecido PCB, Iedo Fiúza; na primeira eleição presidencial direta após a ditadura do Estado Novo.
No momento em que o Brasil está de volta e a centralidade do tabuleiro do xadrez vai ter que ser ocupado pelas mexidas das pedras de quem sabe e deve ter a iniciativa de jogar, é para chamar a atenção de quem pensa diferente de uma máxima ultrapassada “Manda quem pode e obedece quem tem cargos nas esferas de governo”, é por muito alvissareiro que se destaquem as duas iniciativas de um substancial grupo de vereadores aracajuano assumindo o protagonismo da pauta de quem será indicado, com respaldo de quem está na linha de frente das agruras do povo, como capaz de conduzir uma governança que projetou Aracaju no cenário maior do mundo político do País como; Jackson Barreto, o pioneiro e mais destemido, Marcelo Deda, o brilhante encantador do povo e José Eduardo, destacado tribuno no senado e eficiente executivo à frente da maior de todas as empresas do Brasil.
Foi exatamente desse perfil progressista da capital dos sergipanos e das sergipanas, que se projetaram para o mundo as três figuras de proa citadas e, que fizeram de tudo para deixar um sucessor da mesma grandeza para manter incólume um legado que é produto de um amálgama, que se desfeito, nunca mais será reconstruído.
Dos três, o único vivo e atuante é o ex-vereador de Aracaju Jackson Barreto, eleito em 1988 pelo PSB com 23.988 votos, que ainda hoje está longe de ser alcançado, e ajudou a eleger uma bancada de sete vereadores e o prefeito da capital, Wellington Paixão. Daquela leva de bons vereadores e vereadoras, deputados e deputadas estaduais e federais, Prefeitos, senadores e governador que pisaram por cima das pisadas do irrequieto filho de Santa Rosa de Lima que recentemente teve a sabedoria suprema de ir receber as bênçãos da Senhora Sant’Ana de Caicó, Rainha do Seridó, temos o habilidoso e competente prefeito Edvaldo Nogueira que, replicando Fio Maravilha, é capaz de fazer jogadas brilhantes e perder por bizarrices oportunidades de ouro; como está prestes a acontecer em 6 de outubro de 2024.
Há um valoroso ditado popular que diz que se conselho fosse bom não se dava, se vendia. Lá em Caicó é diferente, se diz assim; conselho quando é bom, se dá a uma pessoa de cada vez!
Portanto, leia, interprete e se quiser siga! São muito significativos os gestos feitos pelos 15 vereadores nas últimas semanas. Lá na câmara municipal, tem quem poderá ganhar a eleição majoritária, se não jogar fora a água da bacia, com a criança junto e Edvaldo só precisa amar essas pessoas, como se só tivesse o amanhã de 2024, e precisa de duas coisas aparentemente fáceis e ao mesmo tempo dificílimas: “Ser fiel de balança e avalista de trato”.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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