Os privilégios da toga

Os privilégios da toga, escancarados em remunerações que, não raro, inflados por toda sorte de penduricalhos, na ponta do lápis, superam o teto do funcionalismo em longa fila de zeros, ganham agora ares de afronta. Ontem a Assembleia Legislativa de Sergipe aprovou folgas de 120 dias para os senhores juízes.
A maioria dos deputados estaduais sergipanos aprovou ontem o Projeto de Lei Complementar 02/2024, que cria 120 dias de folgas para magistrados em Sergipe e, desde já, autoriza a transformação dessas folgas em indenização. O projeto só teve os votos contrários da deputada Linda Brasil e do deputado Georgeo Passos. 
Endossada pelo pleno do tribunal de Justiça de Sergipe, a proposta de uma nova regalia para os magistrados vai de encontro à voz das ruas. Para o populacho, é preciso dar fim aos penduricalhos inflando os vencimentos dos juízes brasileiros, extinguir seus privilégios, moralizar a questão, em respeito à saúde dos cofres públicos.
Adotados sob o pretexto de corrigir eventuais perdas salariais, subsídios como o auxílio moradia, por exemplo, constituem artifício controverso, uma muleta que deforma o passo, por assim dizer, ao invés de auxiliar o movimento. Regalias diversas, como o mimo autorizado pela Alese, prejudicam a já abalada imagem do Poder Judiciário junto aos cidadãos comuns, o brasileiro médio, privado do básico, privado de quase tudo.
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