O lobby das armas de fogo segue firme e forte, continua dando as cartas no primeiro escalão da República, apesar da sucessão presidencial. Embora já não disponha de um entusiasta do trabuco à frente do país, a indústria do berro e da bala fincou raízes profundas no poder.
Os reacionários de plantão no Congresso Nacional excluíram as armas de fogo e munições de sobretaxa proposta pelo governo federal, no bojo da reforma tributária. O chamado imposto do pecado pretende desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente.
O texto aprovado está semana na Câmara dos Deputados ainda precisa do aval dos senadores, antes de ser encaminhado para a sanção do presidente. A esperança do governo é que o absurdo seja corrigido pela Câmara Alta.
A vitória do governo foi maiúscula. Foram 336 votos a favor, 142 contra e duas abstenções a favor da reforma tributária. Infelizmente, esta não foi uma vitória sem máculas. Coube a um deputado do PSOL eleito pelo Rio de Janeiro realizar uma síntese da votação:
“Se não houver inclusão das armas de fogo, a tributação sobre esses bens, na prática, vai cair de 89,25% para 26,5%. Armas vão ficar com a mesma alíquota de flores, fraldas, brinquedos e perfumes”.
O absurdo é flagrante.


