A cobertura vacinal já foi motivo de orgulho para os brasileiros. Hoje, no entanto, a adesão limitada às campanhas de vacinação promovidas pelo governo federal refletem o paradoxo das sociedades hiperconectadas: embora a informação circule com velocidade sem precedentes, o conhecimento perdeu valor.
O ano de 2023 marcou o avanço do Brasil na imunização infantil. O desempenho positivo foi suficiente para o país deixar o ranking infame das 20 maiores nações em número de crianças não vacinadas. Mas ainda há resistência à imunização.
A constatação faz parte de um estudo global divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Convém ressaltar, no entanto que mesmo tais organizações, detentora de autoridade inquestionável em suas respectivas áreas de atuação, hoje são alvo de injustificada desconfiança.
Nos últimos cinco anos, surtos de sarampo atingiram 103 países – onde vivem aproximadamente três quartos dos bebês do mundo. A baixa cobertura vacinal nessas regiões (80% ou menos) não se dá necessariamente por falta de recursos, ou por ausência de campanhas de vacinação. Infelizmente, o paradoxo letal aqui já mencionado não está restrito a uma região, ou país. Possui, antes, o mesmo efeito deletério de uma pandemia.


