Embora os dados nem sempre estejam à mão, a letalidade policial é uma realidade conhecida do populacho em qualquer lugar do Brasil – especialmente entre os pretos e pobres. Para estes, policial fardado e bandido são dois lados da mesma moeda, farinha do mesmo saco, tudo igual.
O Brasil registrou 6.393 mortes por intervenções policiais em 2023, o que significa 3,1 mortes por 100 mil habitantes. A letalidade policial no país aumentou 188,9% no intervalo de dez anos.
Itabaiana, na região agreste de Sergipe, aliás, é a quinta cidade do Brasil com maior taxa de letalidade policial – 28 mortes por 100 mil habitantes. No município sergipano 63% das mortes violentas se devem à ação de policiais.
Os dados do 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública foram divulgados ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Apesar de sublinharem uma realidade escandalosa, contudo, não devem produzir qualquer reflexo no cotidiano das comunidades marginalizadas.
A “letalidade policial”, eufemismo adotado pelas autoridades para tentar abafar os casos de abusos resguardados pela farda, deveria ser tomado como uma medida do despreparo policial no “diálogo” com a população. E, no entanto, os dados muitas vezes não chegam nem mesmo a ser computados.
No dia a dia de escracho e baculejo, violências de ordem diversas são naturalizadas, fazem parte da rotina, constituem o modus operando de uma polícia alienada de qualquer função social, apequenada.


