O tema já não causa escândalo, como nos anos de triste memória do bolsonarismo. Isso porquê, diferente de seu antecessor, o presidente Lula reconhece todos os direitos e a dívida histórica da nação brasileira com os povos originários do território nacional. Nas aldeias visadas por madeireiros e garimpeiros, entretanto, a violência persiste.
Ao menos 208 indígenas foram assassinados no Brasil ao longo do ano passado, em pleno governo Lula. O dado consta do relatório Violência Contra os Povos Indígenas, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).
Trata-se o segundo pior resultado registrado desde 2014, quando o conselho, vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), passou a recorrer a dados oficiais para contabilizar homicídios de indígenas.
O número de assassinatos cometidos em 2023 é inferior apenas ao registrado em 2020, quando 216 indígenas morreram de forma violenta.
Os dados relacionados ao assassinato de cidadãos indígenas rimam com a constante violação de seus direitos territoriais. Em 2023, o Cimi registrou 1.276 casos, número turbinado pela morosidade na regularização de terras, invasões e a exploração ilegal de recursos naturais.
É bom que se diga: a questão indígena jamais foi tratada com a devida seriedade no Brasil. Isso posto, convém resistir aos apelos da relativização mais simplória. Os debates sem propósito acerca do marco temporal, defendido com unhas e dentes no Congresso Nacional, evocam o escárnio das metralhadoras apontadas para os povos das florestas. A bancada do atraso faz de tudo para de tudo para derrubar as árvores ainda de pé. Por isso os índios ainda morrem no calor da bala, mesmo sob Lula.


