A economia potencial de energia seria mínimo, razão pela qual o Horário de Verão foi descartado
Decisões de governo raramente nascem alheias às inclinações do humor popular e da opinião pública. Dados, evidências e consultas técnicas, no entanto, devem sempre ser consideradas e servir de lastro para qualquer medida adotada, prós e contras bem pesados, custos e consequências.
Assim foi feito pelo governo de turno em Brasília, antes de decidir pela não adoção do Horário de Verão. A decisão foi anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, horas após se reunir com representantes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS).
A questão está intimamente relacionada com a segurança energética do país. No Brasil, o horário de verão foi instituído pela primeira vez em 1931. Seguiu sendo adotado de forma irregular até 1985, quando passou a ser implementado sistematicamente, com a justificativa de contribuir para a redução do consumo de energia elétrica, a partir do melhor aproveitamento da luz natural. Até ser descartado pelo governo Bolsonaro.
Este ano, o governo federal cogitou adiantar os relógios, como forma de enfrentar a pior seca já registrada no país, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemanden). Na ponta do lápis, entretanto, a economia potencial de energia seria mínimo, razão pela qual o Horário de Verão foi descartado, até segunda ordem. Uma decisão estritamente técnica, ponteiros ajustados com a ciência – ainda bem.


