* Cleverton Costa Silva
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Objetivamente, quando se trata sobre resultados eleitorais no 2º turno aracajuano neste ano de 2024, sabemos pelo senso comum, com o anúncio dos resultados pelo TSE e sua repercussão, que as urnas consagraram a candidata Emília Corrêa – PL numa campanha onde agiu para administrar a ampla vantagem já conseguida no 1º turno, de 126.365 votos, ou 41,62% dos votos válidos; ampliando-os para 165.924 votos, ou 57,46% dos votos válidos. A ampliação deste número de votos, com diferença de 39.559 do 1º ao 2º turno, quase equivale aos 43.932 votos da terceira colocada, Yandra de André Moura.
Mesmo no conforto da liderança absoluta das pesquisas desde o período pré-eleitoral, como oposição, recusando-se a participar de todos os debates contra Luiz Roberto, venceu como o time de futebol que “joga pelo empate”, administrando “a partida”, baixando a temperatura, e repetindo a tática de ressaltar na propaganda eleitoral os três principais elementos de suas peças: liderança nas pesquisas, denúncias de que estava sob ataque e propostas de seu programa de governo, que ela denominou como “Plano de Soluções para Aracaju”.
O candidato Luiz Roberto sofreu uma derrota agridoce, pois numa eleição majoritária onde as principais chapas tiveram a sensibilidade de oferecer candidatas ao eleitorado aracajuano, este conseguiu encabeçar a chapa de situação equilibrando-se entre as vantagens do número de obras entregues e em andamento e os desgastes naturais que acompanham quem está no governo, a exemplo das dificuldades da gestão Edvaldo Nogueira com o funcionalismo. Já o próprio Edvaldo foi quem amargou o fel desta derrota, que se soma à derrota de Valadares Filho em 2012, mostrando que o atual Prefeito em fim de mandato toma decisões desastrosas, quando o assunto é sucessão municipal.
Além de encabeçar a chapa, Luiz Roberto superou fortes candidatas, provavelmente num movimento de voto útil, conseguindo 72.427 votos (23,6%) no 1º turno, e 122.842, 42,5% dos votos válidos, atingidos graças a 50.415 votos adicionais. Além de ter melhorado em retórica e desenvoltura nos programas eleitorais, comparado à sua candidatura sem sucesso em 2022, a votação expressiva torna Luiz Roberto mais forte para eleições proporcionais em 2026. Neste aspecto, as eleições de 2024 em Aracaju também trouxeram Candisse de Lula (Carvalho) e Niully como nomes que também se fortalecem para 2026, enquanto Danielle Garcia minguou de 2ª colocada em 2020 para 5ª em 2024.
Outro aspecto bastante discutido dos resultados eleitorais nos veículos locais de informação foi a alta porcentagem de abstenções, que foi de 104.838 (25,16%) das 416.605 pessoas aptas para votar, comparados aos 88.091 (21,14%) que se abstiveram no 1º turno. Diante destes números de 2024, o senso comum nas ruas e em algumas páginas de jornais reverbera a ideia de que “as pessoas estão cansadas da política”, de sua “mesmice”, das frustrações e às vezes diante da idealização de que “no passado era melhor”. Porém, estudando jornais de 1989 para outros fins, já lia lugares comuns semelhantes aos ditos atualmente.
No que se refere às pesquisas eleitorais, cujos resultados vinham sendo destacados em seis artigos que escrevi desde julho, no 2º turno estas se comportaram de forma semelhante ao ocorrido no 1º turno, em linhas gerais consagrando os institutos de atuação nacional como os que “mais acertaram”; e que apenas na última semana os números tomam a devida dinâmica para “prever” os resultados, enquanto pesquisas de semanas anteriores captam dinâmicas de vieses de alta ou baixa das(os) candidatas(os) concorrentes.
Vistas as pesquisas registradas no PesquEle para a última semana do 2º turno, e divulgadas nas TVs, rádios e na internet, foram coletadas as informações dos mesmos institutos destacados do 1º turno: Paraná Pesquisas, 100% Cidades e Quaest. Em adição a estes, incluiu-se aqui o resultado da pesquisa Atlas Intel da véspera do pleito, instituto contratado pela TV Atalaia, que no 1º turno não veio a público, mas que trouxe resultados interessantes neste 2º.
A princípio, como observação geral, percebe-se pelos gráficos que as pesquisas de véspera se mostraram precisas, com percentagens muito próximas aos resultados apurados pelo TSE. Fora de “margem de acerto” (este termo controverso me surgiu por acaso, mas manterei por não ter palavra melhor), apenas a Quaest apontou 12% de votos brancos e nulos, quando estes chegaram aos 5% do total apto para votar.
Neste sentido, a pesquisa Atlas Intel (barra vermelha) se mostrou no geral a mais próxima das porcentagens dos votos válidos. Desconsiderada a pequena distorção decimal em favor da representação de porcentagens em números inteiros, percebe-se que a Atlas Intel registrou 56%, quando o TSE apurou 57,46% dos votos válidos para Emília; enquanto registrou 42%, cravando os 42,54%, que arredondado para cima está representado como 43% no gráfico.
Diante do que se apresentou ao longo destes sete artigos, percebe-se que há uma necessidade vital aos institutos de pesquisa locais de modernização tecnológica para fazerem frente aos institutos nacionalmente acreditados, que se utilizam cada vez mais de dispositivos eletrônicos para captação, e de aplicativos e assistentes para o tratamento e apresentação dos dados, a exemplo de emprego de Inteligência Artificial (IA) generativa e Business Intelligence (BI, inteligência empresarial, em tradução livre).
Neste aspecto, só é possível se ressaltar nos institutos locais a seriedade de seus/suas profissionais da estatística na distribuição das amostras em proporção da população por bairros, um critério pelo qual, a rigor, os institutos maiores não prezam, e são mais difíceis de atender em entrevistas remotas (online). Assim, vistas em conjunto, infelizmente em 2024 as pesquisas de institutos locais mais uma vez reforçaram o senso comum de que “tem pesquisa pra todo gosto”, percepção difusa que em muito coloca em xeque toda a metodologia seguida pelas pesquisas, em conformidade com as normas do TSE.
Encerrada esta série de artigos focada na obtenção dos dados abertos do sistema de Pesquisas Eleitorais do TSE, o PesquEle, e as pesquisas nela registradas que vieram a público, resta agora perguntar: como será o contexto das pesquisas eleitorais em 2026?
* Cleverton Costa Silva é pesquisador


