A esperada seca

A operação carro-pipa do governador Fabio Mitidieri não dará fim ao sofrimento dos sergipanos castigados pela estiagem prolongada

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É sabido que na seca de1980, ainda durante ogoverno militar, o presidente João Figueiredo admitiu a sua impotência diante da estiagem prolongada e se resignou ao primeiro recurso do sertanejo. Segundo ele, restava rezar.

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Assim tem sido, ao longo dos anos. Medidas paliativas tentam remediar o flagelo, mas o único conforto realmente significativo chega dos céus.

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Em Sergipe, infelizmente, o consolo demora. De acordo com dados do boletim do Monitor de Secas, cinco municípios já enfrentam situação grave. Em Canindé de São Francisco, Poço Redondo, Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória e Poço Verde, a paisagem é de desolação.

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O governo de Sergipe está ciente da gravidade da seca, tanto que fez estardalhaço com o lançamento de uma tal Caravana da Água. Mas o credenciamento de alguns pipeiros, a fim de socorrer os municípios em situação de emergência, não salva a população do sofrimento sofrido todos os anos.

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De nada adianta batizar com um novo nome práticas surradas, como esta de enviar um tonel de água até os confins de Judas, a fim de mitigar o sofrimento derivado da seca. Trata-se de medida estritamente paliativa, sem o condão de transformar vidas. A operação carro-pipa do governador Fabio Mitidieri não dará fim ao sofrimento dos sergipanos castigados pela estiagem prolongada.

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