Os rompimentos de dutos e tubulações, ali, são recorrentes, ao contrário das providências tomadas visando a sua manutenção
A privatização da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) não cumpriu a promessa de levar água tratada para todos os sergipanos. Em verdade, desde quando a Iguá Saneamento assumiu a distribuição, o abastecimento se tornou ainda mais deficiente.
Nos últimos anos, o serviço prestado pela Deso vinha deixando muito a desejar, é verdade. Há quem diga, até, que a precarização atendia a um projeto jamais assumido de privatização. Algo como a crise deflagrada na última sexta-feira, desde quando Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros ficaram sem água, entretanto, nunca se viu.
O desabastecimento generalizado se deu com o rompimento de uma tubulação na adutora do São Francisco, uma circunstância por vezes incontornável, admite-se. Inaceitável, no entanto, é o descaso flagrante com um dos principais reservatórios de água do sistema. Os rompimentos de dutos e tubulações, ali, são recorrentes, ao contrário das providências tomadas visando a sua manutenção.
Durante o fim de semana, enquanto milhares de famílias sergipanas aguardavam por água nas torneiras, o governador Fabio Mitidieri cumpria agenda na Europa. Não deixa de ser uma coincidência reveladora.
Conhecido por ser um homem muito viajado, com entusiasmado pendor para a festa, Fabio Mitidieri é também aquele que sacramentou o destino da Deso, com as consequências conhecidas agora.


