Ao fim do ensino médio, poucos alunos são capazes de compreender um texto simples, ou realizar operações matemáticas básicas
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou ontem os primeiros dados reunidos pelo Censo Escolar 2025, auferindo o número de matrículas realizadas na educação básica das redes pública municipal e estadual de ensino, Brasil afora. Este, no entanto, é um dado estritamente burocrático, que não diz muito sobre o estado das escolas públicas e a educação oferecida aos nossos. A parcela realmente importante do Censo Escolar ainda está por vir.
Na segunda etapa do Censo Escolar, constam os dados sobre o rendimento dos alunos. Trata-se, em suma, de dizer se as salas de aula onde se forma a brava gente brasileira estão dando conta de municiar os estudantes com o fundamental em matéria de conhecimento, preparando-os para a vida.
A expectativa mais sensata é de que o Inep confirme as previsões mais pessimistas. De acordo com todas as estatísticas à mão, a educação brasileira de vai de mal a pior.
Os estudantes aprendem a ler e escrever cada vez mais tarde. Ao fim do ensino médio, poucos são capazes de compreender um texto simples, ou realizar operações matemáticas básicas.
No início do ano, um Pacto pela Educação proposto pelo Ministério Público de Contas, com a colaboração de especialistas com o calibre do doutor Josué Modesto dos Passos Sobrinho, ex-reitor da Universidade Federal de Sergipe, pretende fazer um diagnóstico preciso do aprendizado nas salas de aula da rede pública estadual e nos municípios, na esperança de vislumbrar estratégias capazes de promover a compreensão de texto e a fluência da leitura.
A iniciativa é das mais louváveis. Mas o Censo Escolar 2025 não deve refletir tão boas intenções. A conferir, portanto.

