O sistema de cotas adotado pelas universidades brasileiras possui mais de 20 anos
Anos atrás, quando o Ministério Público Federal expediu recomendação à Universidade Federal de Sergipe, a fim de apurar denúncias de fraude no ingresso de estudantes beneficiados por cotas, o Jornal do Dia fez questão de sublinhar o óbvio: cota não é esmola. Agora, MPF obtém condenação da UFS para recompor vagas de cotas raciais nos cursos de graduação.
Para além das sanções legais, importa, sobretudo, preservar as chamadas políticas afirmativas dos retrocessos na agenda dos reacionários. O sistema de cotas adotado pelas universidades brasileiras possui mais de 20 anos. Duas décadas, apenas, contra uma cultura secular, fundada na separação entre casa grande e senzala. Período relativamente curto, mas que já começa a mudar as feições do mercado de trabalho, academia e, ainda mais importante, da própria sociedade brasileira.
A essa altura do campeonato, nada melhor do resgatar as palavras do então presidente do Supremo Tribunal Federal, na sessão histórica que julgou pela constitucionalidade do sistema de cotas e sacramentou o destino de tantos. Encerrando o julgamento, o ministro Ayres Britto lembrou que a Constituição legitima todas as políticas públicas destinadas à promoção dos setores sociais histórica e culturalmente desfavorecidos.
“São políticas afirmativas do direito de todos os seres humanos a um tratamento igualitário e respeitoso. Assim é que se constrói uma nação”, concluiu.


