Os levantamentos recorrentes do IBGE ajudam a dar uma feição estatística à uberização do trabalho
A uberização do trabalho, modalidade de precarização afinada com a tecnologia de aplicativos e plataformas digitais, é um dos maiores desafios a serem encarados pelo governo federal neste terceiro mandato de Lula. Trabalhista, o presidente já declarou a intenção de resguardar os direitos dos chamados colaboradores. Mas ninguém sabe ainda como fazer isso.
Trata-se aqui de uma parcela imensa dos trabalhadores. O número de pessoas que trabalham por meio de aplicativos cresceu 25,4% em 2024, na comparação com 2022. Nesse intervalo, o contingente de trabalhadores nessa condição passou de 1,3 milhão para quase 1,7 milhão. São 335 mil pessoas a mais.
Os dados fazem parte do módulo sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E alertam sobre a persistência de um problema já antigo.
Na prática, embora desfrutem de um rendimento ligeiramente superior à média dos trabalhadores formais, os profissionais que encontram um emprego para a própria força por meio da tecnologia se equilibram numa corda bamba. Além de não gozarem os direitos assegurados pela legislação em vigor, também não se preocupam com o futuro. No 4º trimestre de 2022, apenas 35,7% dos plataformizados eram contribuintes da previdência.
Os levantamentos recorrentes do IBGE ajudam a dar uma feição estatística à uberização do trabalho. Este é o primeiro passo, talvez, no sentido de regular o trabalho em ambiente digital e resguardar todos os trabalhadores brasileiros. Um desafio imenso.


