Injeção de ânimo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A revisão da tabela do Imposto de Renda está em vias de ganhar efeito prático, prestes a sair do papel

Além de promover justiça tributária, a nova faixa de isenção do imposto de renda proposta pelo governo federal ainda tem o potencial de injetar milhões em recursos na economia brasileira. De acordo com as primeiras projeções, serão R$ 8 bilhões, só no Nordeste. Uma senhora injeção de ânimo.
Não se fala aqui de pouco dinheiro. Em Sergipe, segundo cálculos do Banco do Nordeste do Brasil, serão R$ 358 milhões.
A matéria ainda precisa ser aprovada no Senado. Desde já, no entanto, demonstra a intenção do governo de turno de poupar a imensa maioria dos trabalhadores da carga tributária em vigor no Brasil.
A revisão da tabela do Imposto de Renda, compromisso assumido publicamente pelo presidente Lula, está em vias de ganhar efeito prático, prestes a sair do papel. Se os senadores votarem em favor dos trabalhadores e tudo ocorrer conforme o planejado, a proposta do governo tem a chance de corrigir uma distorção evidente.
A ampliação da faixa de isenção custará cerca de R$ 27 bilhões por ano aos cofres públicos, como resultado da redução da arrecadação. Para compensar a perda, o projeto prevê a tributação mínima das altas rendas, ampliando a receita com a cobrança de imposto de rendimentos isentos, como dividendos de empresas (parte do lucro distribuída aos acionistas) acima de R$ 600 mil.
Melhor assim. Há quem veja na promessa cumprida de Lula uma jogada meramente eleitoral, mas estes precisam mirar mais longe. A carga tributária sobre as costas do contribuinte brasileiro é das mais regressivas do mundo. Aqui, o peso dos impostos é inversamente proporcional à renda do trabalhador. Quanto mais aquinhoado, menos tributos.
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