* Rômulo Rodrigues
A COP30 não é um evento climático e enquanto acontecia pouca gente deve ter visto que em 12 de novembro de 2025 o Consórcio Nordeste fechou um acordo de investimento de R$ 100 milhões para investir na recuperação da Caatinga, um Bioma que ninguém tem, sentado em cima de um filtro natural com capacidade de sequestrar quase todo o Carbono produzido pela indústria poluidora e, de quebra, ensacar vento, fazendo com que os investimentos cresçam para R$ 200 milhões, em curto prazo.
Logo na abertura em que analistas da Globo taxaram de esvaziada porque a estrela do momento belicoso Donald Trump não estava, Lula foi para cima e disse: A crise climática não é ameaça do futuro; é tragédia do presente, sabendo que só o Brasil tem o Bioma da Caatinga com 944 mil Km² e não um aparato bélico capaz de matar gente que não prova ser bandido, narcotraficante ou terrorista.
E foi no ponto certo onde confronta com a doutrina do domínio do louco de Washington, enquadrando os verdadeiros senhores das guerras e abrindo os olhos de quem quer enxergar provando que é mais barato salvar o planeta do que financiar guerras e que o grande perigo são os algoritmos.
O sucesso desta conferência mundial do clima é visível não só pelos conteúdos e volumes das discussões das saídas para equacionar o X da questão do aquecimento global, que estão em solo pátrio mas, também, pelo comprovado isolamento do ocupante da casa branca na exposição do seu arsenal no Mar do Caribe afrontando todo o continente, fazendo de conta que está arrumando o tabuleiro para um jogo de dama em desafio a Nicolás Maduro, esquecendo que se pisar na formiga venezuelana, poderá assanhar um formigueiro que não sabe o tamanho.
Só um aparte; a Caatinga brasileira, com seu gigantesco território será capaz de, com os projetos em análises, de sequestrar todo o Carbono que aflige os poluidores que fazem de conta que não é com eles, para não assumirem seus crimes, e apenas se fazem de idiota, para enganar gente ao seu redor.
O exemplo mais gritante como subproduto mental da COP30 foi a besteira dita pelo chanceler alemão Friedrich Merz, que a mídia patronal alivia chamando de acidente diplomático mas, que no fundo tenta esconder o real do eles pensam sobre nós, do continente sul-americano.
A verdade nua e crua é que o neonazista de carteirinha tentou fazer uma piada sobre o povo amazônico e fez foi revelar o enorme preconceito dos que pensam ser superior e querem impor sua hierarquia racial.
É certo que o evento mundial sobre o clima chama a atenção não só por ele em si; mas, por estar sendo realizado no Brasil que, sem querer querendo, tudo em volta é só beleza, que emite raios de sol que ameaçam furar os olhos dos conquistadores decadentes.
O Brasil ainda não é uma República. O que continua sendo chamado como tal é uma caricatura da que foi proclamada em 15 de novembro de 1889, com apoio de fazendeiros que se diziam prejudicados com a abolição e queriam reparação pelos “investimentos”, pelo apoio da igreja católica, da maçonaria e dos militares esfarrapados que adotaram as teses do positivismo francês e do federalismo estadunidense para refundar uma sociedade e, somente agora, estão prestando contas de todo o mal que fizeram à nação.
Quer queiram, quer não queiram os burgueses do atraso; já temos uma classe política dirigente, em formação no curso dos últimos 45 anos, com a consciência que não existe poder moderador para decretar GLO para dar golpe e que as instituições de Estado funcionam com vigor e soberania, com um Partido da classe trabalhadora que sabe ocupar os espaços de direção política.
Se o que determina é a economia, os resultados estão ai para mostrar. O real tem a maior valorização frente o dólar entre todas as moedas; o desemprego é o menor do período histórico; o salário mínimo recupera valorização acima da inflação perdida desde o golpe de 2016; o Brasil exporta mais que antes do tarifaço; o país abriu 167 novos mercados para exportação; o poder judiciário está cumprindo seu papel e a prisão do dono do Banco Master expõe o que a PF descobriu na Faria Lima.
E tem mais, a tentativa do governador Tarcísio de Freitas de invalidar o PL contra o crime organizado, não passa de uma confissão de que o massacre nos complexos da Penha e do Alemão foi uma desesperada tentativa de mais um Golpe de Estado.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


