* Rômulo Rodrigues
O Carnaval é considerado a maior vitrine do Brasil e de sua gente e deveria ser levado a sério no ato final com as votações dos jurados dos quesitos do desfile das escolas do grupo principal que, afinal, em termos de economês, vende o país para o mundo, mas o que se viu na quarta-feira de cinzas foi mais um passo na tática de guerra continuada que a extrema direita tem tara e sempre que pode premia a negação da política, nem que seja por uso cabotino de uma pessoa ingênua como o presidente da Viradouro.
No contexto ideológico da luta que está em curso um passo dado com mais objetividade pelas forças entreguistas da nossa soberania foi o gol em impedimento da pistoleira ideológica da bancada global Malu Gaspar com a entrega da cabeça do ministro Dias Tóffoli na bandeja para o Partido Midiático recuperar um pouco da narrativa perdida.
Outro passo afinado com a estratégia da escola de samba que tem Malu como porta bandeira veio na bem armada louvação ao ministro André Mendonça ao anular várias decisões do ministro Dias Tóffoli, na tentativa de envolver Alexandre de Moraes e chegar ao presidente Lula e sua família.
Passado o engodo da votação o mundo livre acusou que o samba da escola punida pelos tecnocratas da Sapucaí foi, está e estará sendo cantada e aplaudida até o próximo desfile, onde quer que tenha gente alegre e feliz.
Resultado; quem souber um pouquinho do que a letra diz com; revolucionário é saber escolher os seus heróis vai saber entender que a escola de Niterói em 2026 deu um passo à frente historiou o Brasil de Bacurau, Ainda Estamos Aqui e O Agente Secreto, deu dois passos atrás abrindo alas para a irmã Viradouro de Niterói, vai garantir um julgamento justo para a União de Maricá que vai ocupar seu lugar em 2027 e voltará como gigante à Marquês de Sapucaí, em tempos de podridão nas latas de conserva.
Porém, a festa ainda não acabou com as casas de apostas abrindo pules para um pedido de prisão da especuladora de mentiras número 1 do sistema O Globo, o que será um golpe direto na lava jato dois ponto zero acrescentado pela denúncia da jornalista Juliana Dal Piva indicando onde Flávio Bolsonaro malocou dinheiro sujo.
Voltando ao desfile propriamente dito, a Rede Globo no seu acentuado descaramento, já nem disfarçou o bem visível boicote ao desfile da escola de Niterói, sem focar com decência o que acontecia nas arquibancadas e camarotes da Sapucaí com o povo cantando a plenos pulmões evocando a trajetória da mãe de um Estadista: “Do alto do Mulungu surge a esperança; Lula o operário do Brasil”.
Cheio de metáforas com suas subsequentes explicações, que só o presidente Lula sabe traduzir o samba enredo causou frenesi a quem mergulhou no sonho da letra! “Eu vi brilhar a estrela de um país/No choro de Luiz/À luz de Garanhuns/ Lugar onde a pobreza e o pranto/Se dividem para tantos/E a riqueza multiplica para alguns/Me via nos olhares dos meus filhos/Assombrados e vazios com o peito em pedaços/Parti atrás do amor e dos meus sonhos/Peguei os meus meninos pelos braços/Brilhou um Sol da pátria incessante/Pro destino retirante te levei Luiz Inácio/Por ironia, treze noites, treze dias, me guiou Santa Luzia, São José alumiou/Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical à liderança mundial.
Vi a esperança crescer e o povo seguir sua voz/Revolucionário é saber escolher os seus heróis/Zuzu Angel, Henfil, Vladimir/Que pagaram o preço da raiva/Nós ainda estamos aqui/No Brasil de Rubens Paiva/Lute pra vencer, aceite se perder/Se o ideal valer nunca desista/Não é digno fugir, nem tão pouco permitir/Leiloarem isso aqui a prazo, à vista.
É…Tem filho de pobre virando doutor/Comida na mesa do trabalhador/A fome tem pressa, Betinho dizia. É…Teu legado é espelho de minhas lições/Sem temer tarifas e sansões/Assim que se firma a soberania/Sem mitos falsos, sem anistia.
Quanto custa a fome? Quanto importa a vida? Nosso sobrenome é Brasil da Silva/Vale uma nação, vale um grande enredo/Em Niterói o amor venceu o medo!
Olê, olê, olê, olá/Vai passar nessa avenida mais um samba popular/Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!
Enfim, a conclusão mais óbvia e ululante é que o desfile serviu para o Partido Midiático tentar jogar para debaixo dos tapetes toda a sujeira que ele apoia nos editoriais de O Globo, Folha de S. Paulo e Estadão, reverberados nas concessões públicas de Rádios e Televisões e, ainda esconde do Gado que Carnaval também é cultura, enquanto o presidente Lula brilha na Índia fechando um acordo de R$ 10 bilhões para fabricar pelo SUS remédio eficiente contra alguns tipos de Câncer.
Como o homenageado da Escola Viradouro exultou sua vitória dizendo que o samba venceu a política em desabafo negacionista, fica a sugestão que para 2027 o tema seja; sobre Campos Neto ter aberto as portas para a farra do Banco Master; Que o Banco Master financiou R$ 5 milhões para as campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022; que o governador Ibanêz usou o BRB para socorrer o Banco Máster; que Ciro Nogueira criou uma lei para encobrir o rombo astronômico; que Claudio Castro usou dinheiro dos aposentados do estado do Rio de Janeiro para encobrir os roubos que ultrapassam a casa de R$12 bilhões e tudo isso deixa a pergunta que não quer calar: na Sapucaí em 2027 a vitoriosa de 2026 repetirá o feito de hoje ou vai cantar para muita gente que bateu palmas e que estará lá na Papuda? Apostas abertas.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

