Abordarei neste ensaio, algumas informações relevantes de uma entidade brasileira que trabalha no monitoramento de riscos climáticos no Brasil, trata-se do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN) que é uma instituição pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Atua no apoio técnico e científico ao Governo Federal nas áreas de monitoramento de riscos, sistemas de alerta precoce e prevenção de impactos decorrentes de desastres naturais, como inundações, deslizamentos de terra e secas.
Conforme informado pela instituição, a sua está localizada em São José dos Campos, no estado de São Paulo, e sua atuação é de abrangência nacional, por meio de uma ampla rede de sistemas de monitoramento e de parcerias com órgãos federais, estaduais e municipais. O Centro conta com um corpo técnico multidisciplinar formado por pesquisadores, analistas e especialistas em áreas como meteorologia, hidrologia, geologia, geotecnologias e gestão de riscos de desastres.
Os principais objetivos institucionais do Cemaden são: monitorar e analisar condições ambientais e climáticas que possam resultar em desastres em todo o território brasileiro; emitir alertas antecipados para subsidiar as ações da defesa civil e reduzir perdas humanas e materiais; desenvolver pesquisas científicas e soluções tecnológicas voltadas à redução de riscos de desastres e ao fortalecimento da resiliência climática; subsidiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas relacionadas à prevenção, adaptação e gestão de riscos de desastres; e contribuir para o fortalecimento da conscientização pública e das capacidades institucionais no enfrentamento de riscos e impactos associados a eventos extremos.
O CEMADEN produz boletins técnicos, relatórios, estudos e pesquisas científicas, além de promover seminários, oficinas e atividades de capacitação, em parceria com instituições nacionais e internacionais, como universidades, centros de pesquisa e organismos multilaterais.
Sua estrutura organizacional é composta por unidades técnicas e científicas dedicadas ao monitoramento, à pesquisa, ao desenvolvimento tecnológico e à cooperação institucional.
Entre os boletins produzidos pelo CEMADEN, temos o de monitoramento de secas e impacto no Brasil. As informações mais recentes apresentadas no boletim que foi divulgado em janeiro de 2026 apontam o seguinte:
O número de municípios em situação de seca severa diminuiu de 413 em dezembro para 361 em janeiro, o que representa uma redução de 12,5%, segundo o Índice Integrado de Seca (IIS-3). No mesmo período, a seca moderada aumentou de 1.194 para 1.225 municípios (+ 2,6%), enquanto a seca fraca aumentou de 2005 para 2320 municípios (+15,7%). Em dezembro, quatro municípios registraram condição de seca extrema, Igaracy-PB, Limeira do Oeste-MG, Santa Vitória – MG e União de Minas – MG e nenhum caso de seca excepcional. No recorte de seis meses (IIS-6), os quatro municípios acima mencionados apresentaram seca extrema. Já o número de municípios em seca severa diminuiu de 473 para 442 uma queda de 6,5%, enquanto a seca moderada passou de 1.242 para 1.293 municípios (+ 4,1%) e a seca fraca aumentou de 2.025 para 2.235 municípios (+10,4%). A região central do país segue concentrando as áreas mais críticas, com as condições de seca moderada e severa persistindo no corredor que se estende pelo Sudeste (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro), pelo Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso), pelo Norte (Tocantins e Pará) e na região Nordeste (Pernambuco e Paraíba).
No início de fevereiro de 2026, o Oceano Pacífico apresenta sinais de um episódio fraco de La Niña. A anomalia de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na região do Niño 3.4 apresentou, na última semana, um valor médio de -0,9 °C. As TSM na região Niño 1+2 (próxima às costas do Peru e do Equador) já estão aumentando, indicando que o pico de resfriamento já passou. As chances de uma transição para um estado de neutralidade, prevista para o trimestre FM/2026, são de mais de 80% (CPC-NOAA), indicando que a La Niña deve encerrar o seu ciclo. As previsões sazonais mais recentes do multimodelo C3S Copernicus para o trimestre FMA/2026 indicam chances de chuvas abaixo da média no extremo norte da região Nordeste. A previsão sazonal nacional, fruto da cooperação entre CPTEC/INPE, INMET e FUNCEME, indica que a chuva abaixo da média na região Nordeste pode impactar áreas maiores. As previsões subsazonais indicam um cenário de diminuição das chuvas nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, o chamado veranico, de meados até o fim de fevereiro de 2026.
O CEMADEN também produz o Boletim de Impactos de Extremos de Origem Hidro-Geo-Climático em Atividades Estratégicas para o Brasil. Os dados mais recentes apontam o seguinte: a situação dos níveis dos principais rios do Brasil em relação à média climatológica das estações hidrológicas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), referente ao dia 10 de fevereiro, aponta que nas porções noroeste e sudoeste da região Norte, porção noroeste da região Centro-Oeste, porção leste da região Nordeste e grande parte da região Sudeste do Brasil ficaram com níveis acima ou muito acima da média para o período. Por outro lado, alguns rios do Acre e da porção leste da região Norte, porções leste e sul da região Centro-Oeste e porção sul da região Sul do Brasil, registraram com níveis abaixo da média climatológica.
A região central do país segue concentrando as áreas mais críticas, com as condições de seca moderada e severa persistindo no corredor que se estende pelo Sudeste (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro), Centro-Oeste (Goiás e Mato Grosso), Norte (Tocantins e Pará) e na região Nordeste (Pernambuco e Paraíba).
Conhecer as condições de riscos climáticos no nosso país é fundamental para o planejamento das atividades produtivas, especialmente aquelas que são vinculadas ao setor rural brasileiro.

